sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Recomeço

Decididamente este é um texto que eu não gostaria de escrever. O Brasil todo aguardava com muita expectativa a prova dos 50m livre, em que tínhamos chances reais de uma dupla medalha com César Cielo e Bruno Fratus. Infelizmente o resultado não foi o esperado, mas não é hora de buscar culpados. Eu sempre admirei - e continuo admirando - o Cielo pela frieza em alcançar uma meta traçada, independentemente dos desafios externos. Porém, acho que, desta vez, houve exagero no foco. O que era para ser motivação, virou pressão, o olímpico se transformou em paranóico e aí as coisas saíram do controle. O mágico do esporte é que, assim como na vida, sempre é tempo de recomeçar. E vamos combinar que essa retomada não começa do zero, muito pelo contrário. Cielo sai com um bronze olímpico no peito, prova de que existe um sólido alicerce vencedor. Agora é momento de muita calma e de transmitir todo o carinho ao nosso campeão. Ninguém precisa cobrar nada de Cielo, porque ele já faz isso por conta própria. Quem também não conseguiu a medalha esperada foi o Fratus, mas tenho certeza que ele saiu de cabeça erguida da piscina, após ter feito o melhor tempo da sua vida. E só perseverar por esse caminho que, é questão de tempo, para as grandes conquistas surgirem. Recomeço bem mais complicado terão as meninas do basquete, eliminadas ainda na primeira fase, e as garotas do futebol, também fora da briga por medalhas. O que dói não é a derrota em si, mas a forma desorganizada e apática demonstrada em quadra e no gramado. O Brasil sempre se destacou no cenário esportivo internacional pela irreverência. Que o recomeço de Cielo e das nossas meninas do basquete e do futebol passe por muita leveza e alegria.

Orgulho total

O judô do Brasil está de parabéns. O gigante Rafael Silva fechou a nossa participação nos tatames londrinos da mesma forma que o batalhador Felipe Kitadai abriu: com uma honrosa medalha de bronze. Por pouco, a conquista verde-amarela de hoje também não se repetiu com Maria Suellen Altheman. Pena que a brasileira enfrentou na disputa da medalha a verdadeira “Muralha da China”, Wen Tong, simplesmente heptacampeã mundial. Mas voltando ao Rafael, nosso judoca mostrou muita estratégia e sangue frio – quem disse que os nossos atletas não sabem trabalhar bem sob pressão – até conquistar o seu merecido lugar no pódio. O judô do Brasil fechou a conta em Londres com um ouro e três bronzes. E além desse recorde, o que chama mais atenção é que a nossa equipe é muito jovem, com muitos atletas com pouco mais de 20 anos. Ou seja, o que já foi excelente neste ciclo olímpico tem tudo para continuar e ser ainda mais impecável no Rio de Janeiro. Valeu a pena madrugar esta semana para ver a participação dos nossos judocas desde as primeiras lutas. Mesmo os que não conseguiram medalha, suaram muito no tatame mostrando que, antes de qualquer coisa, o importante é fazer o seu melhor. E por isso todos são vitoriosos, super bem representados pelas medalhas de Sarah, Mayra, Felipe e Rafael. Orgulho total!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Façanha Olímpica

Michael Phelps tornou-se nesta semana o maior medalhista das Olimpíadas, incluindo até o período das competições na Grécia Antiga. Apesar da façanha ter sido conquistada na última terça-feira, Phelps não se acomodou e continuou perseguindo o seu primeiro ouro individual em Londres. Agora, não falta nada. Hoje, o  norte-americano deu um show nos 200m medley – o nosso Thiago Pereira cansou no final e não conseguiu repetir o pódio dos 400m medley –, desbancando o rival Ryan Lochte e voltou ao topo. Chegou ao 16º ouro olímpico e, de quebra, tornou-se o primeiro tricampeão olímpico em uma prova da natação. Assim é a vida de Phelps: vitória atrás de vitória, recorde atrás de recorde, triunfo atrás de triunfo. A verdade é que Phelps chegou aonde nenhum homem e nenhuma outra mulher chegou e dificilmente alguém voltará a chegar. Por tudo que ele representa, seria ótimo se ele encarnasse um pouco mais o espírito olímpico, sendo um pouco mais humilde e simpático. Seja como for, você pode até não gostar de Michael Phelps, mas é impossível não respeitar Michael Phelps.

Vale Ouro

Quem não acompanha de perto o judô, talvez não tenha entendido a dimensão que envolve um confronto entre a nossa Mayra Aguiar e a norte-americana Kayla Harrison. Após dez confrontos (infelizmente atualizados agora para 6 a 4 a favor de Kayla), as duas criaram uma rivalidade tipo Brasil x Argentina, Federer x Nadal, Senna e Prost (a F-1 não me parece adequado ao contexto olímpico, mas, modalidade a parte, o exemplo é bem significativo para mostrar o nível de competição a que se pode chegar). Enfim, o que eu quero dizer é que o embate entre Mayra e Kayla é disputado num nível técnico tão alto que pode existir um ganhador, mas não um perdedor. O confronto entre as duas judocas merecia ter como palco a final olímpica, mas quis o destino dos cruzamentos que o duelo fosse na semifinal. Mayra perdeu hoje, assim como já venceu a norte-americana ontem e com certeza voltará a ganhar amanhã. É lógico que todo atleta quer o ouro e eu não estou querendo aqui minimizar a façanha de Kayla. Mas, para mim, o que menos importa é a cor da medalha conquistada por Mayra. A vontade que essa gaúcha demonstrou hoje no tatame, inclusive superando uma contusão no braço na luta final, vale ouro. E o bom de tudo isso é que a nossa revelação tem apenas 21 anos, tempo suficiente para colecionar muitas outras medalhas, incluindo diversas douradas.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Falsa Impressão

Depois da façanha do primeiro dia com um ouro, uma prata e o bronze, a torcida brasileira ficou com a falsa impressão de que seria fácil a caminhada do Brasil em Londres. Olimpíadas não funcionam assim. É muito bom ver nossos atletas com chances reais de medalha em diversas modalidades, mas continuo repetindo: nenhum brasileiro tem a obrigação de voltar com uma medalha no peito. Mesmo com todo esse entendimento do cenário olímpico, em que a regra geral é voltar sem a medalha, é lógico que algumas derrotas são muito sofridas. O importante é que, passado a dor inicial, o nosso atleta levante a cabeça e tenha o orgulho de ter feito o melhor. É o caso do ginasta Diego Hypólito, que na sua segunda e provavelmente última tentativa de conquistar uma medalha, acabou não alcançando o seu objetivo. Só ele sabe todo o sacrifício que passou até aqui, mas quando ele estiver com a cabeça mais fria, espero que ele não volte a classificar a sua experiência olímpica como um fracasso. Ele realmente não foi bem em Londres e Pequim, mas um campeão mundial jamais será um fracassado. A desclassificação de Rafaela Silva também machucou. Uma coisa é o atleta cair de pé. A outra é ser eliminada da competição por uma punição inesperada. Ela vai ficar martelando esse momento por algum tempo até como forma de aprendizado, mas é bom lembrar que a judoca da Cidade de Deus tem apenas 20 anos e um universo de oportunidades. Talvez a medalha que não chegou agora na Inglaterra esteja guardada para vir daqui quatro anos com todo o sabor especial de uma vitória no Rio de Janeiro. Quem também deve estar perguntando o que faltou é o judoca Leandro Guilheiro, que chegou voando em Londres, como primeiro do ranking e vindo de conquista de medalha em todas as competições que participou neste ciclo olímpico. Eu respondo o que faltou: nada. No judô, em que tudo acontece num dia, um detalhe já é suficiente. O mesmo detalhe que já lhe rendeu duas medalhas, inclusive quando se recuperava de contusão, desta vez não vestiu verde-amarelo. Simples assim. O importante é que Leandro continua um guerreiro.  Nesta mesma linha, já fica o recado para os próximos dias. César Cielo não é favorito a ganhar uma medalha nos 100m livre. Se chegar no pódio é porque realmente Cesão é um fenômeno das águas.