Decididamente este é um
texto que eu não gostaria de escrever. O Brasil todo aguardava com muita
expectativa a prova dos 50m livre, em que tínhamos chances reais de uma dupla
medalha com César Cielo e Bruno Fratus. Infelizmente o resultado não foi o
esperado, mas não é hora de buscar culpados. Eu sempre admirei - e continuo admirando - o Cielo pela
frieza em alcançar uma meta traçada, independentemente dos desafios externos.
Porém, acho que, desta vez, houve exagero no foco. O que era para ser motivação, virou
pressão, o olímpico se transformou em paranóico e aí as coisas saíram do
controle. O mágico do esporte é que, assim como na vida, sempre é tempo de
recomeçar. E vamos combinar que essa retomada não começa do zero, muito pelo
contrário. Cielo sai com um bronze olímpico no peito, prova de que existe um
sólido alicerce vencedor. Agora é momento de muita calma e de transmitir todo o
carinho ao nosso campeão. Ninguém precisa cobrar nada de Cielo, porque ele
já faz isso por conta própria. Quem também não conseguiu a medalha esperada foi o
Fratus, mas tenho certeza que ele saiu de cabeça erguida da piscina, após ter
feito o melhor tempo da sua vida. E só perseverar por esse caminho que, é
questão de tempo, para as grandes conquistas surgirem. Recomeço bem mais complicado
terão as meninas do basquete, eliminadas ainda na primeira fase, e as garotas
do futebol, também fora da briga por medalhas. O que dói não é a derrota em si,
mas a forma desorganizada e apática demonstrada em quadra e no gramado. O Brasil sempre se destacou no cenário esportivo internacional pela
irreverência. Que o recomeço de Cielo e das nossas meninas do basquete e do
futebol passe por muita leveza e alegria.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Orgulho total
O judô do Brasil está de
parabéns. O gigante Rafael Silva fechou a nossa participação nos tatames
londrinos da mesma forma que o batalhador Felipe Kitadai abriu: com uma honrosa
medalha de bronze. Por pouco, a conquista verde-amarela de hoje também não se
repetiu com Maria Suellen Altheman. Pena que a brasileira enfrentou na disputa
da medalha a verdadeira “Muralha da China”, Wen Tong, simplesmente heptacampeã mundial. Mas voltando ao Rafael, nosso judoca mostrou muita estratégia e sangue
frio – quem disse que os nossos atletas não sabem trabalhar bem sob pressão –
até conquistar o seu merecido lugar no pódio. O judô do Brasil fechou a conta
em Londres com um ouro e três bronzes. E além desse recorde, o que chama mais
atenção é que a nossa equipe é muito jovem, com muitos atletas com pouco mais
de 20 anos. Ou seja, o que já foi excelente neste ciclo olímpico tem tudo para
continuar e ser ainda mais impecável no Rio de Janeiro. Valeu a pena madrugar esta semana
para ver a participação dos nossos judocas desde as primeiras lutas. Mesmo os
que não conseguiram medalha, suaram muito no tatame mostrando que, antes de
qualquer coisa, o importante é fazer o seu melhor. E por isso todos são
vitoriosos, super bem representados pelas medalhas de Sarah, Mayra, Felipe e
Rafael. Orgulho total!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Façanha Olímpica
Michael Phelps tornou-se nesta
semana o maior medalhista das Olimpíadas, incluindo até o período das
competições na Grécia Antiga. Apesar da façanha ter sido conquistada na última
terça-feira, Phelps não se acomodou e continuou perseguindo o seu primeiro ouro
individual em Londres. Agora, não falta nada. Hoje, o norte-americano deu um show nos 200m medley –
o nosso Thiago Pereira cansou no final e não conseguiu repetir o pódio dos 400m
medley –, desbancando o rival Ryan Lochte e voltou ao topo. Chegou ao 16º ouro
olímpico e, de quebra, tornou-se o primeiro tricampeão olímpico em uma prova da
natação. Assim é a vida de Phelps: vitória atrás de vitória, recorde atrás de
recorde, triunfo atrás de triunfo. A verdade é que Phelps chegou aonde nenhum
homem e nenhuma outra mulher chegou e dificilmente alguém voltará a chegar. Por
tudo que ele representa, seria ótimo se ele encarnasse um pouco mais o espírito
olímpico, sendo um pouco mais humilde e simpático. Seja como for, você pode até
não gostar de Michael Phelps, mas é impossível não respeitar Michael Phelps.
Vale Ouro
Quem não acompanha de perto
o judô, talvez não tenha entendido a dimensão que envolve um confronto entre a
nossa Mayra Aguiar e a norte-americana Kayla Harrison. Após dez confrontos
(infelizmente atualizados agora para 6 a 4 a favor de Kayla), as duas criaram
uma rivalidade tipo Brasil x Argentina, Federer x Nadal, Senna e Prost (a F-1
não me parece adequado ao contexto olímpico, mas, modalidade a parte, o exemplo
é bem significativo para mostrar o nível de competição a que se pode chegar).
Enfim, o que eu quero dizer é que o embate entre Mayra e Kayla é disputado num
nível técnico tão alto que pode existir um ganhador, mas não um perdedor. O
confronto entre as duas judocas merecia ter como palco a final olímpica, mas
quis o destino dos cruzamentos que o duelo fosse na semifinal. Mayra perdeu
hoje, assim como já venceu a norte-americana ontem e com certeza voltará a
ganhar amanhã. É lógico que todo atleta quer o ouro e eu não estou querendo
aqui minimizar a façanha de Kayla. Mas, para mim, o que menos importa é a cor
da medalha conquistada por Mayra. A vontade que essa gaúcha demonstrou hoje no
tatame, inclusive superando uma contusão no braço na luta final, vale ouro. E o
bom de tudo isso é que a nossa revelação tem apenas 21 anos, tempo suficiente
para colecionar muitas outras medalhas, incluindo diversas douradas.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Falsa Impressão
Depois da façanha do primeiro dia
com um ouro, uma prata e o bronze, a torcida brasileira ficou com a falsa
impressão de que seria fácil a caminhada do Brasil em Londres. Olimpíadas não
funcionam assim. É muito bom ver nossos atletas com chances reais de medalha em
diversas modalidades, mas continuo repetindo: nenhum brasileiro tem a obrigação
de voltar com uma medalha no peito. Mesmo com todo esse entendimento do cenário
olímpico, em que a regra geral é voltar sem a medalha, é lógico que algumas
derrotas são muito sofridas. O importante é que, passado a dor inicial, o nosso
atleta levante a cabeça e tenha o orgulho de ter feito o melhor. É o caso do
ginasta Diego Hypólito, que na sua segunda e provavelmente última tentativa de
conquistar uma medalha, acabou não alcançando o seu objetivo. Só ele sabe todo
o sacrifício que passou até aqui, mas quando ele estiver com a cabeça mais
fria, espero que ele não volte a classificar a sua experiência olímpica como um
fracasso. Ele realmente não foi bem em Londres e Pequim, mas um campeão mundial jamais será um fracassado. A desclassificação de Rafaela Silva
também machucou. Uma coisa é o atleta cair de pé. A outra é ser eliminada da
competição por uma punição inesperada. Ela vai ficar martelando esse momento
por algum tempo até como forma de aprendizado, mas é bom lembrar que a judoca da Cidade de Deus tem apenas 20
anos e um universo de oportunidades. Talvez a medalha que não chegou agora na
Inglaterra esteja guardada para vir daqui quatro anos com todo o sabor especial
de uma vitória no Rio de Janeiro. Quem também deve estar perguntando o que
faltou é o judoca Leandro Guilheiro, que chegou voando em Londres, como
primeiro do ranking e vindo de conquista de medalha em todas as competições que
participou neste ciclo olímpico. Eu respondo o que faltou: nada. No judô, em
que tudo acontece num dia, um detalhe já é suficiente. O mesmo detalhe que já
lhe rendeu duas medalhas, inclusive quando se recuperava de contusão, desta vez
não vestiu verde-amarelo. Simples assim. O importante é que Leandro continua um
guerreiro. Nesta mesma linha, já fica o recado
para os próximos dias. César Cielo não é favorito a ganhar uma medalha nos 100m
livre. Se chegar no pódio é porque realmente Cesão é um fenômeno das águas.
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