O Brasil não precisava ter levado o jogo até
a última bola. O aproveitamento do lance livre continua sofrível, mas, ufa,
ganhou. E venceu justamente a França, atual campeã europeia. É bem verdade que
eles não vieram com Parker e Noah, mas ainda sim são os maiores adversários
brasileiros na busca da segunda colocação do grupo A – acredito que a Espanha é
“all concur” para ser a líder da chave. Agora é fazer o dever de casa contra
Irã e Egito, ir com tudo para cima da Sérvia – se deu contra a França, temos
condições de ganhar dos sérvios também. É lógico que ainda estamos na primeira
rodada da primeira fase e o esporte não é matemática, mas, confirmando as
projeções lógicas, o Brasil iria para a próxima fase com apenas a esperada
derrota para Espanha. O segundo lugar além de garantir, em teoria, um
adversário mais fraco nas oitavas-de-final possibilitaria enfrentar novamente a
temida Espanha já na semifinal – ou seja, pelo menos a disputa pela medalha de
bronze estava garantida. É lógico que tem muita coisa para acontecer, mas no
complexo jogo de xadrez que envolve os chaveamentos do Mundial, o Brasil fez
uma excelente jogada. Agora que já levamos alguns peões e até um bispo, já é
hora de pensar no próximo movimento. Ainda tem o outro bispo, muitos peões,
torres, cavalos, sem falar do Rei e da Rainha, para serem tombados. Continua difícil,
mas essa vitória contra a França mostrou que realmente é possível.
sábado, 30 de agosto de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Sensacionalmente Mayra
Que acompanha um pouco o judô sabe que um dos
maiores desafios do atleta é manter a regularidade. Não basta ser bom, não
basta treinar forte. Nem sempre a medalha olímpica ou de um mundial vai para o
favorito, para o mais preparado. Em uma competição em que tudo é decidido num
único dia, basta não ter acordado bem, ter azar no sorteio, sofrer uma
interpretação equivocada da arbitragem, sem falar das lesões que ameaçam o
tempo e, pronto, adeus à consagração do pódio. Conseguir dominar todos esses
fatores para medalhar uma vez já é bom; por duas, ótimo; por três, maravilhoso; por quatro, fantástico; por cinco vezes ininterruptamente, sensacionalmente sem
palavras. Quem pensa que precisou anos de dedicação e que tal façanha vem
apenas ao final de carreira se engana. Nossa gigante Mayra Aguiar conquistou
tudo isso com apenas 23 anos. Desde 2010, a talentosa gaúcha acumulava três
medalhas em Mundiais (uma prata e dois bronzes) e o bronze olímpico em
Londres-2012. Consistente e regular, Mayra já esteve perto do ouro por
diversas vezes, mas sempre um detalhe a impedia de ir ainda mais longe. Muitas
vezes esse sonho foi interrompido pela norte-americana Kayla Harrisson, atual
campeã olímpica. Dessa vez, o confronto entre as duas foi reservado novamente
para uma semifinal. Mayra entrou no tatame com uma força surpreendente. Hoje
nada, nem a maior rival, impediria Mayra de conquistar a sua quarta medalha
seguida em Mundial, a primeira de ouro. Detalhe que, pós-Olimpíadas, Mayra
passou inclusive por cirurgia. Parabéns por chegar ao lugar que busca há anos.
Que a regularidade já demonstrada persista por muito tempo. Uma guerreira como
você não precisa provar mais nada para ninguém, mas seria muito justo e
merecido que o ouro olímpico que não veio em Londres repouse no seu peito nos
tatames do Rio de Janeiro. Siga em frente e parabéns a essa gaúcha com força de
mulher, mas sorriso de guria.
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