Que acompanha um pouco o judô sabe que um dos
maiores desafios do atleta é manter a regularidade. Não basta ser bom, não
basta treinar forte. Nem sempre a medalha olímpica ou de um mundial vai para o
favorito, para o mais preparado. Em uma competição em que tudo é decidido num
único dia, basta não ter acordado bem, ter azar no sorteio, sofrer uma
interpretação equivocada da arbitragem, sem falar das lesões que ameaçam o
tempo e, pronto, adeus à consagração do pódio. Conseguir dominar todos esses
fatores para medalhar uma vez já é bom; por duas, ótimo; por três, maravilhoso; por quatro, fantástico; por cinco vezes ininterruptamente, sensacionalmente sem
palavras. Quem pensa que precisou anos de dedicação e que tal façanha vem
apenas ao final de carreira se engana. Nossa gigante Mayra Aguiar conquistou
tudo isso com apenas 23 anos. Desde 2010, a talentosa gaúcha acumulava três
medalhas em Mundiais (uma prata e dois bronzes) e o bronze olímpico em
Londres-2012. Consistente e regular, Mayra já esteve perto do ouro por
diversas vezes, mas sempre um detalhe a impedia de ir ainda mais longe. Muitas
vezes esse sonho foi interrompido pela norte-americana Kayla Harrisson, atual
campeã olímpica. Dessa vez, o confronto entre as duas foi reservado novamente
para uma semifinal. Mayra entrou no tatame com uma força surpreendente. Hoje
nada, nem a maior rival, impediria Mayra de conquistar a sua quarta medalha
seguida em Mundial, a primeira de ouro. Detalhe que, pós-Olimpíadas, Mayra
passou inclusive por cirurgia. Parabéns por chegar ao lugar que busca há anos.
Que a regularidade já demonstrada persista por muito tempo. Uma guerreira como
você não precisa provar mais nada para ninguém, mas seria muito justo e
merecido que o ouro olímpico que não veio em Londres repouse no seu peito nos
tatames do Rio de Janeiro. Siga em frente e parabéns a essa gaúcha com força de
mulher, mas sorriso de guria.
Muito legal a análise e o justo reconhecimento!
ResponderExcluirA questão da regularidade é crítica para os atletas de ponta. Outro fator importante, como não se deixar fascinar com a bajulação que os campeões recebem ? Pelo visto não é o caso da nossa atleta, que já está em uma excelente sequencia!