Não adianta. Brasília é um time marrento que
nunca vai ser simpático para as torcidas adversárias. Essa história de que o
Brasília era o Brasil na final da Liga Sul-Americana é retórica. Para mim
Brasília sempre será uma extensão do time de Ribeirão Preto, motivo mais do que
suficiente para eu manter distância. Agora, uma coisa eu tenho que admitir: a
equipe dá um show em termos de planejamento. Depois de ter feito sua pior
participação no NBB (Brasília terminou num surpreendente 5º lugar), o time se
encaminhava para um impasse: como conviver com o natural envelhecimento do trio
Nezinho, Alex e Giovannoni (assim como os Três Mosqueteiros tem o quarto
elemento que é o Arthur) e ainda assim se manter no topo? A escolha da
diretoria foi internacionalizar a equipe – a característica de trabalhar apenas
com atletas tupiniquins vinha desde os tempos de Ribeirão. Só que aí foi a
grande sacada. Brasília foi as compras não como quem vai ao McDonald´s e vai
pedindo apenas pelo número. Buscou o que havia de melhor no mercado. A começar
pelo brilhante técnico argentino Sérgio Hernandez, que trouxe junto o seu homem
de confiança, o uruguaio Osimani (20 pontos e inacreditáveis 13 assistências na
final). Para fechar o grupo e resolver o seu eterno problema de ter um pivô
daqueles, Brasília trouxe o americano Goree, grande destaque da final com 24
pontos e 8 rebotes. Com essa reformulação perfeita, Brasília não só voltou a
ser uma das referências nacionais, mas também retornou ao topo sul-americano. É
hora de deixar a rivalidade de lado e dar parabéns pela conquista.