domingo, 7 de dezembro de 2014

Pra Lavar a Alma

2014 está encerrando e tinha tudo para ficar marcado como o “ano do vexame brasileiro”, pós 7 a 1 para Alemanha na semifinal da Copa. É lógico que a goleada é histórica e não será esquecida, mas hoje tem um marco muito mais importante para ser lembrado: o Brasil, o mesmo país que só pensa em futebol e despreza os outros esportes olímpicos, terminou o Mundial de Natação de piscina curta no primeiro lugar geral com dez medalhas, sendo sete de ouro. Para quem achava que a natação brasileira se resumia a César Cielo (mais uma vez ele fez sua parte com um ouro individual, além da participação em dois revezamentos dourados e dois bronzes), saiba que nós temos uma equipe cada vez mais homogênea e vitoriosa. Tanto que dos sete ouros, três vieram dos revezamentos. Se toda grande conquista, tem que ter nomes, heróis, protagonistas, a façanha de Doha tem dois: Felipe França e Etiene Medeiros. França que vem se firmando a cada ano que passa, participou dos três revezamentos vitoriosos do Brasil e ainda ultrapassou todos os seus adversários no 50m e 100m peito. Agora, a grande revelação, o novo xodó brasileiro é Etiene Medeiros, responsável pela primeira medalha da mulher brasileira num Mundial de piscina curta. Demorou, mas veio com pacote completo: ouro com direito a recorde mundial do 50m costas. Precisa falar mais alguma coisa? É lógico que para o Rio-2016 é outra história... Lá a piscina é de 50m e aí parece que vira outro esporte, mas não deixa de ser um sinal que o Brasil está mergulhado na melhor geração que já tivemos. Por falar em recorde, quem também fez história hoje foi o meu Palmeiras. Tornou o time com a menor quantidade de pontos (míseros 40) a conseguir permanecer na Série A. Sem comentários. Vexame em campo, sucesso nas piscinas... Água para lavar a alma de alegria e orgulho dos esportistas olímpicos brasileiros.