Depois da conquista neste sábado dos 50m livre – a quarta medalha de ouro em mundiais – fica cada vez mais difícil descobrir qual o limite deste multicampeão. Cesar Cielo nasceu homem, felizmente brasileiro, mas a natureza queria que fosse peixe. Não um lambari qualquer e sim um impávido marlin-azul, o mais veloz desbravador dos mares. O nome de Cielo até faz uma referência ao Céu, mas é da água que vem a sua força. Se um ser humano é formado, em média, por 70% de água, eu não me surpreenderia se esta proporção em Cielo beirasse a totalidade. Isto explicaria porque quando Cesão mergulha numa piscina, torna-se uma mistura homogênea. A primeira braçada desencadeia uma onda harmônica, tsunami de velocidade até a batida final. Arrisco a dizer que, nas veias de Cielo, circula gelo, única justificativa para demonstrar tamanha frieza nos momentos decisivos em que muitos titubeiam. Não é exagero falar que em terra firme, Cielo é um legítimo peixe fora d´água: passos desengonçados, total falta de afinidade com os holofotes, declaração de poucas palavras. Quando emerge de uma conquista e todos esperam uma frase de efeito, Cielo mais uma vez recorre à água e faz da lágrima sua maior expressão.
sábado, 30 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Coincidências não tão boas assim
O Brasil garantiu hoje vaga em duas finais no Mundial de Xangai: nos 100m livre com o Cesar Cielo e nos 200m medley com Thiago Pereira. A coincidência que ligou as duas provas é que tanto Cielo, quanto Thiago ficaram até os últimos metros na briga por medalhas, mas no finalzinho acabaram ficando fora do pódio – no caso de Cielo foi apenas por um centésimo. É lógico que nem o torcedor, muito menos o atleta, quer perder uma medalha no Mundial por detalhe, mas, como disse ontem no texto do Felipe França, tudo vale como experiência. Mesmo sem medalhas hoje, o Brasil já faz a campanha mais áurea da história. O que une os três ouros conquistados até aqui – maratona aquática de 25km com Ana Marcela, 50m borboleta com Cielo e 50m peito com Felipe – é que todas as provas não fazem parte do programa olímpico. É uma coincidência não tão boa assim, mas que não tira em nada o mérito dos nossos atletas vencedores.
Fim do suspense
Desde o final de 2009, duas perguntas dominavam o mundo da natação: quando e quem seria o primeiro a bater um recorde mundial depois da proibição do uso dos supermaiôs? A resposta veio hoje: o norte-americano Ryan Locthe nos 200m medley, prova que contava com ninguém menos que Michael Phelps. Feito simplesmente fantástico!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Nada como a experiência
Em 2009, Felipe França chegou ao Mundial de Roma como recordista mundial e grande favorito nos 50m peito. Na final da prova, Felipe acabou – como diz a minha esposa – “ganhando” a prata ao ser superado pelo sul-africano Cameron Van Der Burgh. Dois anos depois, vem o Mundial da China e a história se inverte: o cara a ser batido passa a ser Der Burgh. Parece que Felipe não se importou em deixar de ser o favorito, muito pelo contrário. Hoje na final em Xangai, Felipe chegou quieto, com o já tradicional fone de ouvido e olhou para a piscina com um olhar fixo: a partir dali, parece que ele não enxergava mais nenhum adversário. A disputa passava a ser com ele mesmo. Desde a largada, movimentos precisos para, 27 segundos depois, soltar o grito que ficou guardado dois anos. Parabéns Felipe, França no nome, mas Brasil no coração.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Só Pra Começar
Depois do vai ou não vai ao Mundial, Cielo foi. Antes de cair na piscina, o multicampeão brasileiro declarou que não estava 100% mentalmente, mas que iria fazer o melhor possível. E no caso de Cielo, fazer o que está ao seu alcance significa ouro. Logo na sua primeira participação - 50 m borboleta - Cielo pode chorar no alto do pódio ao som do hino nacional – bom demais! É impressionante a capacidade de Cielo de se reinventar. Quanto mais pressionado está, mais ele deslancha na piscina. Desde a polêmica do doping, Cielo evitou dar entrevistas, sua resposta é na linguagem universal da natação. E o melhor de tudo é que o Mundial está só começando para o brasileiro: depois de “quebrar o gelo” nos 50 m borboleta – pena que esta prova não é olímpica – ainda têm os 50 m e 100 m livre, aí sim as especialidades do Cesão. Não sei não, mas acho que os chineses vão até aprender o nosso hino nacional de tanto que ele vai tocar em Xangai....
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