Nada simboliza melhor o lema esportivo do “importante
é competir” do que as Paraolímpiadas. A conquista não se restringe à medalha. A
vitória nasce no momento em que cada atleta decidiu ver a diferença física como
uma característica e não como um obstáculo. Para esses atletas, o esporte é
muito mais do que um exercício físico. É um objetivo pelo qual vale a pena
acordar todos os dias. Assistir a uma prova paraolímpica é uma nova
oportunidade para abandonarmos a velha prática de reclamar da vida. É a chance
de lembrarmos que não existem problemas e sim desafios. E é justamente o sonho
de transformar um desafio numa medalha olímpica que move milhares de atletas.
Todo atleta paraolímpico já é um vencedor, mas eles querem mais. Sabem que a
medalha olímpica é a certeza de que anos de sacrifícios foram recompensados. Foi
assim com o italiano Alessandro Zanardi. Ex-piloto de F-1 e bicampeão da Indy
(97 e 98), Zanardi sofreu um grave acidente em 2001. Mesmo com as duas pernas amputadas,
o italiano não ficou longe das competições. Veio para o ciclismo paraolímpico e
sai de Londres com dois ouros (contrarrelógio e estrada). Após as conquistas, Zanardi
deu um depoimento que vai muito além de uma simples entrevista: “Sem o esporte
eu não sei viver. Tive tanto na vida e continuo a ter. Só tenho a agradecer.” Trajetória
semelhante de superação tem o gaúcho Jovane Guissone. Durante um assalto, a
bala que poderia ser o fim, foi o recomeço. Cadeirante, Guissone se reinventou
e agora é ouro olímpico na esgrima. Assim como Zanardi, o brasileiro dá o seu
recado: “Não somos coitados, somos pessoas como as outras.” Desculpa Jovane,
mas não posso concordar. Vocês não são pessoas como as outras, são campeões
olímpicos! Praticamente apenas o mito Michael Phelps pode se comparar com o
brasileiro Daniel Dias, dono de 15 medalhas olímpicas, sendo seis ouros só
nas Paraolímpiadas de Londres. Aliás, se
a meta brasileira para o Rio-2016 é terminar entre as dez potências olímpicas,
nas Paraolimpíadas isto já é uma realidade. O Brasil encerrou em sétimo lugar com 21 ouros, 14 pratas e 8 bronzes. É hora de olhar com mais carinho e
mais respeito para esses brasileiros, show de perseverança em Londres.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Alegria brasileira+Frieza russa=Título USOpen
Num campeonato de tênis, todos os holofotes
ficam focados nas disputas de simples. Mas num Grand Slam – o “quarteto
fantástico” que reúne o Australian Open,
Roland Garros, Wimbledon e US Open – existe uma série de disputas paralelas. E
foi justamente neste cenário, um pouco menos badalado, mas nem por isso menos
charmoso, que o Brasil fez história em New York. Ao lado da russa Ekaterina
Makarova, Bruno Soares sagrou-se campeão do US Open em dupla mista. Como
legítimo mineiro, Bruno foi avançando silenciosamente, desbancando os favoritos
até a vitória final. Dizem que New York não pára, mas, hoje, por alguns
instantes, todos pararam para aplaudir Bruno e Makarova. É o retorno do Brasil
ao topo de um Grand Slam, 11 anos após a última conquista de Guga em Roland
Garros. A dupla está de parabéns e espero que eles se reencontrem em outros
campeonatos. Afinal, alegria brasileira mais frieza russa é igual a título de
Grand Slam.
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