Quem não acompanha de perto
o judô, talvez não tenha entendido a dimensão que envolve um confronto entre a
nossa Mayra Aguiar e a norte-americana Kayla Harrison. Após dez confrontos
(infelizmente atualizados agora para 6 a 4 a favor de Kayla), as duas criaram
uma rivalidade tipo Brasil x Argentina, Federer x Nadal, Senna e Prost (a F-1
não me parece adequado ao contexto olímpico, mas, modalidade a parte, o exemplo
é bem significativo para mostrar o nível de competição a que se pode chegar).
Enfim, o que eu quero dizer é que o embate entre Mayra e Kayla é disputado num
nível técnico tão alto que pode existir um ganhador, mas não um perdedor. O
confronto entre as duas judocas merecia ter como palco a final olímpica, mas
quis o destino dos cruzamentos que o duelo fosse na semifinal. Mayra perdeu
hoje, assim como já venceu a norte-americana ontem e com certeza voltará a
ganhar amanhã. É lógico que todo atleta quer o ouro e eu não estou querendo
aqui minimizar a façanha de Kayla. Mas, para mim, o que menos importa é a cor
da medalha conquistada por Mayra. A vontade que essa gaúcha demonstrou hoje no
tatame, inclusive superando uma contusão no braço na luta final, vale ouro. E o
bom de tudo isso é que a nossa revelação tem apenas 21 anos, tempo suficiente
para colecionar muitas outras medalhas, incluindo diversas douradas.
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