Depois da façanha do primeiro dia
com um ouro, uma prata e o bronze, a torcida brasileira ficou com a falsa
impressão de que seria fácil a caminhada do Brasil em Londres. Olimpíadas não
funcionam assim. É muito bom ver nossos atletas com chances reais de medalha em
diversas modalidades, mas continuo repetindo: nenhum brasileiro tem a obrigação
de voltar com uma medalha no peito. Mesmo com todo esse entendimento do cenário
olímpico, em que a regra geral é voltar sem a medalha, é lógico que algumas
derrotas são muito sofridas. O importante é que, passado a dor inicial, o nosso
atleta levante a cabeça e tenha o orgulho de ter feito o melhor. É o caso do
ginasta Diego Hypólito, que na sua segunda e provavelmente última tentativa de
conquistar uma medalha, acabou não alcançando o seu objetivo. Só ele sabe todo
o sacrifício que passou até aqui, mas quando ele estiver com a cabeça mais
fria, espero que ele não volte a classificar a sua experiência olímpica como um
fracasso. Ele realmente não foi bem em Londres e Pequim, mas um campeão mundial jamais será um fracassado. A desclassificação de Rafaela Silva
também machucou. Uma coisa é o atleta cair de pé. A outra é ser eliminada da
competição por uma punição inesperada. Ela vai ficar martelando esse momento
por algum tempo até como forma de aprendizado, mas é bom lembrar que a judoca da Cidade de Deus tem apenas 20
anos e um universo de oportunidades. Talvez a medalha que não chegou agora na
Inglaterra esteja guardada para vir daqui quatro anos com todo o sabor especial
de uma vitória no Rio de Janeiro. Quem também deve estar perguntando o que
faltou é o judoca Leandro Guilheiro, que chegou voando em Londres, como
primeiro do ranking e vindo de conquista de medalha em todas as competições que
participou neste ciclo olímpico. Eu respondo o que faltou: nada. No judô, em
que tudo acontece num dia, um detalhe já é suficiente. O mesmo detalhe que já
lhe rendeu duas medalhas, inclusive quando se recuperava de contusão, desta vez
não vestiu verde-amarelo. Simples assim. O importante é que Leandro continua um
guerreiro. Nesta mesma linha, já fica o recado
para os próximos dias. César Cielo não é favorito a ganhar uma medalha nos 100m
livre. Se chegar no pódio é porque realmente Cesão é um fenômeno das águas.
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