terça-feira, 31 de julho de 2012

Falsa Impressão

Depois da façanha do primeiro dia com um ouro, uma prata e o bronze, a torcida brasileira ficou com a falsa impressão de que seria fácil a caminhada do Brasil em Londres. Olimpíadas não funcionam assim. É muito bom ver nossos atletas com chances reais de medalha em diversas modalidades, mas continuo repetindo: nenhum brasileiro tem a obrigação de voltar com uma medalha no peito. Mesmo com todo esse entendimento do cenário olímpico, em que a regra geral é voltar sem a medalha, é lógico que algumas derrotas são muito sofridas. O importante é que, passado a dor inicial, o nosso atleta levante a cabeça e tenha o orgulho de ter feito o melhor. É o caso do ginasta Diego Hypólito, que na sua segunda e provavelmente última tentativa de conquistar uma medalha, acabou não alcançando o seu objetivo. Só ele sabe todo o sacrifício que passou até aqui, mas quando ele estiver com a cabeça mais fria, espero que ele não volte a classificar a sua experiência olímpica como um fracasso. Ele realmente não foi bem em Londres e Pequim, mas um campeão mundial jamais será um fracassado. A desclassificação de Rafaela Silva também machucou. Uma coisa é o atleta cair de pé. A outra é ser eliminada da competição por uma punição inesperada. Ela vai ficar martelando esse momento por algum tempo até como forma de aprendizado, mas é bom lembrar que a judoca da Cidade de Deus tem apenas 20 anos e um universo de oportunidades. Talvez a medalha que não chegou agora na Inglaterra esteja guardada para vir daqui quatro anos com todo o sabor especial de uma vitória no Rio de Janeiro. Quem também deve estar perguntando o que faltou é o judoca Leandro Guilheiro, que chegou voando em Londres, como primeiro do ranking e vindo de conquista de medalha em todas as competições que participou neste ciclo olímpico. Eu respondo o que faltou: nada. No judô, em que tudo acontece num dia, um detalhe já é suficiente. O mesmo detalhe que já lhe rendeu duas medalhas, inclusive quando se recuperava de contusão, desta vez não vestiu verde-amarelo. Simples assim. O importante é que Leandro continua um guerreiro.  Nesta mesma linha, já fica o recado para os próximos dias. César Cielo não é favorito a ganhar uma medalha nos 100m livre. Se chegar no pódio é porque realmente Cesão é um fenômeno das águas.

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