Robert Scheidt e Bruno Prada chegaram à
regata decisiva com a medalha olímpica garantida, faltando apenas definir a
posição do pódio. A conquista do ouro dependia de uma combinação improvável de resultados.
Por outro lado, os quatro pontos a frente dos suecos indicavam uma posição confortável
na disputa da prata. Scheidt e Prada entraram hoje para velejar com um dilema:
administrar a prata ou ir para o tudo ou nada em busca do ouro. Eu não entendo
nada de iatismo, mas ficou bem claro que os brasileiros optaram por arriscar.
Tentaram caminhos alternativos, apostaram em uma virada inesperada na direção
dos ventos. As apostas não deram certo e, por fim, ficamos com o bronze. O ouro
não veio e, de certa forma, acabaram deixando escapar a prata, mas Scheidt e
Prada estão de parabéns. Tenho ouvido tanto a velha história que os atletas
brasileiros “amarelam” no final. E agora, ninguém vai falar do arrojo da nossa
dupla? Criticar o Prada já é sacanagem, agora falar alguma coisa do Scheidt é
uma heresia. Com o honroso bronze de hoje, Scheidt chegou à quinta medalha
olímpica, tornando-se o maior medalhista brasileiro de todos os tempos – o iatista
Torben Grael também tem cinco medalhas, mas um prata a menos. E o mais
impressionante é que Scheidt continua em plena forma, pronto para novas
conquistas. O problema que, justamente no Rio-2016, a Star, atual classe de
Scheidt, não está prevista no programa olímpico. Não sei ainda o que vai
acontecer, mas tenho certeza de que Scheidt vai dar um jeito de estar presente
no Rio. Mas agora não é hora de falar do futuro, voltemos ao presente. Um
brasileiro ganhar uma medalha olímpica é um feito. Duas, um espetáculo. Três,
memorável. Quatro, inexplicável. Cinco, façanha atingida apenas por dois heróis
brasileiros. Cinco, sendo dois ouros, duas pratas e um bronze não tem
adjetivos, mas sim um sujeito simples e vencedor: Robert Scheidt.
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