domingo, 5 de agosto de 2012

Raio Bolt

Não é a primeira vez que os 100m, a prova mais charmosa do atletismo, tem um bicampeão olímpico – o “filho do vento” Carl Lewis foi o mais veloz em Los Angeles-1984 e Seul-1988. Mesmo sem o ineditismo, o que encanta o mundo é a forma como Usain Bolt chegou a essa façanha. Quando todos os seus adversários estão visivelmente tentando ultrapassar o limite humano, Bolt passeia na pista. Vendo Bolt correr, eu sempre tenho a impressão de que ele nem cansa. O corpo de Bolt parece não ser feito das mesmas fibras e músculos humanos. É verdade que na etapa final de preparação para Londres, Bolt não obteve resultados tão consistentes e, tão rápido como o jamaicano, começaram as especulações: Bolt é isto, Bolt é aquilo. Realmente. Bolt é isto, é aquilo e muito mais. Para definir Bolt é preciso buscar na memória todos os superlativos que você conheça. Mas seja rápido. Pois se você demorar mais que 9s63, Bolt não estará mais por perto para ouvir seu elogio. Que o tempo é relativo todo mundo já sabe, mas para Bolt é tudo muitíssimo mais rápido. Não é à toa que o jamaicano fez do raio o seu símbolo.

Um comentário:

  1. Excelente análise, amigo.
    Vendo Bolt descarregar nas pistas a impressão é que os músculos estão relaxados enquanto todos estão tensos. O corpo é forte, mas não é bombado. A face é contraída, mas não é de dor. Os olhos vislumbram a chegada e conferem o tempo. Um esforço a mais e quem sabe eu consigo. E o esforço vem na forma de uma aceleração que se mantém por muito mais tempo do que a de todos os demais competidores. Que faz o Homem-raio sair da turba de grandes competidores para se destacar como o super campeão que é. Nossa respiração também se prende. Até o "ufa" na linha de chegada. Como é belo e emocionante esse esporte quando ele está nas pistas.

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