Num jogo repleto de especulações, o Brasil não
quis saber de conversa. Foi lá, venceu a Espanha na última rodada da primeira
fase do basquete olímpico por 88 a 82, avançando em segundo lugar do grupo. Não
sei se a Espanha “entregou” a partida para fugir dos EUA numa eventual
semifinal – nós também tínhamos esta opção. A verdade é que se os espanhóis
fizeram algo do tipo, eu não os condeno. Não concordo muito com esse moralismo
ortodoxo. Eu acho que nenhum atleta deve “programar” um resultado, quando isso
significa prejudicar ou beneficiar um adversário. Isto está totalmente fora dos
princípios esportivos, sobretudo dos olímpicos. Agora, a questão de apostar num
resultado que interfere basicamente no futuro do próprio atleta ou da equipe
envolvida, eu vejo como uma questão de estratégia. Na verdade, não é que
ninguém vai entrar para perder, mas passa pela motivação. Toda vez que um
atleta está em ação, ele busca, antes de tudo, o melhor resultado para ele,
99,9% das vezes isso significa ir atrás da vitória até o fim. Mas se, de
repente por algum regulamento inesperado, o não ganhar significa o melhor
resultado, qual o problema? Para mim nenhum. Em 2010 criticaram, e muito, o
Bernardinho por “entregar” um jogo na primeira fase, mas a verdade é que o
Brasil sagrou-se campeão. Enfim, voltando à polêmica do dia, eu gostaria que, “entregando”
ou não, o Brasil tivesse perdido. E não é pela questão de enfrentar os EUA numa
eventual semifinal, mas sim por escapar da Argentina nas quartas-de-final, em
duelo que uma derrota significa ficar de fora da briga por medalhas. Os hermanos
podem não estar na mesma forma do ouro de Atenas-2004, perderam duas vezes na
primeira fase, mas, contra o Brasil é sempre outra história. Foi na base da
motivação que, na mesma fase no Mundial de 2010, nós ficamos pelo caminho e os
argentinos avançaram. Neste jogo chave de quarta-feira, eu acho que a pressão
psicológica contra a França seria menor. Enfim, os cruzamentos já estão definidos
e não tem o que escolher. A verdade é que “agora o bicho vai pegar”. Só espero
que a Tropa de Elite na quarta-feira vista verde-amarelo!
Grande amigo,
ResponderExcluirA seleção brasileira viveu um dilema conhecido como "a escolha de sofia". Ou seja, vale à pena provocar um mal menor para se salvar de um mal maior ? No livro de william styron, uma mãe tem de decidir entregar seu filho mais velho ou sua filha mais nova aos nazistas em plena segunda guerra mundial. Decisões que envolvem um sacrifício em prol de um bem maior nunca são fáceis. Há vários estudos psicológicos e sociológicos sobre o assunto e é muito interessante como as respostas variam de acordo com alguns pequenos detalhes colocados no enunciado do problema. Na edição de jun/2008 da SuperInteressante são colocados alguns destes dilemas, como os dois que se seguem abaixo:
(SITUAÇÃO 1)
"Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre a linha. Mas você tem a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que leva o trem para outra linha, onde ele atingirá apenas uma pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 e matando 1?"
(SITUAÇÃO 2)
Imagine a mesma situação anterior: um trem em disparada irá atingir 5 trabalhadores desprevenidos nos trilhos. Agora, porém, há uma linha só. O trem pode ser parado por algum objeto pesado jogado em sua frente. Um homem com uma mochila muito grande está ao lado da ferrovia. Se você empurrá-lo para a linha, o trem vai parar, salvando as 5 pessoas, mas liquidando uma. Você empurraria o homem da mochila para a linha?
Observe que o resultado final é o mesmo nas duas situações, pode-se salvar 5 pessoas sacrificando apenas 1. Esse teste foi proposto pelo psicólogo Joshua Green e enquanto na primeira situação 97% das pessoas disseram SIM, na segunda situação, 75% das pessoas disseram NÃO.
No final das contas, não é apenas o utilitarismo (ou o pragmatismo) que conta, mas a forma como o dilema é proposto para os tomadores de decisão.
Acredito que a grande questão aqui é como um técnico poderia propor aos seus atletas que não ganhem um jogo ? Como abordar seus atletas com esse dilema ?
Relembrando Sun Tzu, se por um lado "Um exército vitorioso não lutará com o inimigo até que esteja seguro das condições de vitória, enquanto que um exército derrotado inicia a batalha e espera OBTER a vitória depois.", também disse o filósofo da guerra chinês "A vitória é o principal objetivo na guerra. Se tardar a ser alcançada, as armas embotam-se e a moral baixa."
Que venham los hermanos!