Podia ser o tri de Miami, a consagração de
LeBron, mas foi dia do Spurs, do espírito de equipe, da genialidade de
Popovich. Entre os múltiplos sotaques – são cinco estrangeiros no San Antonio –
ressoa o português de Splitter, o primeiro brasileiro a se consagrar campeão da
NBA. Quando eu comecei a acompanhar a NBA, ainda no final dos anos 80, a
competição era realmente norte-americana e ter um brasileiro no topo parecia um
sonho inatingível. Alguns estrangeiros se aventuravam pelas terras do Tio Sam,
mas sempre em papéis secundários. Aos poucos isso foi mudando e hoje a NBA é
realmente um campeonato global. Espanhóis, alemães, argentinos, franceses e
muitos outros já sentiram o gostinho de ser campeão, mas para nós, brasileiros,
o máximo que tínhamos atingido era ter chegado à final, primeiro com Varejão e
no ano passado com o próprio Splitter. Faltava o último degrau, agora não falta
nada: o San Antonio Spurs deu um show de estratégia, conjunto. E nesse espírito
coletivo, Splitter, a cada dia que passa, consegue consolidar a sua importância
na rotação do time. É o reconhecimento do gigante Splitter, brasileiro que saiu
cedo para buscar seu espaço na Europa e, quando já estava consagrado por lá, aceitou
o desafio de recomeçar na NBA. Depois de algumas desconfianças, Splitter
manteve o foco. É admirável a sua persistência, garra e humildade. Ao se tornar
o primeiro brasileiro campeão da NBA, Splitter não realizou apenas o seu sonho,
mas o sonho de toda uma nação. Milhares de “basqueteiros de sofá”, que assim
como eu, puderam sair dessa final com um gosto diferente: a festa continua lá
nos EUA, mas tem um pouco de nós. Que esse seja o primeiro de muitos anéis de
um brasileiro da NBA. Agora que já temos um campeão, o próximo sonho é ter um
brasileiro liderando uma equipe da NBA. Hoje parece impossível, mas amanhã,
quem sabe...
segunda-feira, 16 de junho de 2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Primeiro Teste = Aprovado
Foi só o primeiro jogo, um ótimo início, mas
nada mais do que isso. Ainda temos um mês de bola rolando e é preciso manter a
calma, pois muita coisa ainda vai rolar. Aliás, já na estréia aconteceu quase de tudo: um gol contra, um pênalti duvidoso, uma virada emocionante, dois gols de
Neymar, o brilhantismo de Oscar e a certeza que realmente temos dois paredões
na defesa: Thiago Silva e David Luiz. De tudo que aconteceu em campo hoje, acho
que o mais significativo foi a virada. No futebol, para reconhecer um grupo
vencedor é sempre bom verificar como a equipe se comporta quando sai atrás do
placar. E confesso que tinha certo receio, para não disser medo mesmo, de como nossos
meninos iriam reagir quando, em plena Copa do Mundo em casa, tomássemos um gol
inesperado. Ter essa oportunidade logo no primeiro jogo foi o teste que faltava
para mostrar que o grupo realmente está comprometido. É impressionante como o
Felipão tem a capacidade de unir, motivar, cobrar e, ao mesmo tempo, acalmar seus
jogadores. Por falar em aguentar a pressão, parabéns ao Oscar. Quando a sua
saída do time titular era dada praticamente como certa, Felipão manteve a
coerência e deu mais uma chance para o talento e inteligência do garoto. Ainda
bem: Oscar não só marcou o seu, como participou dos outros dois gols do Brasil.
Enfim, foi, ao mesmo tempo, cérebro e coração da equipe. O primeiro passo foi
muito bem dado, mas já é hora de pensar no próximo. Até porque o México tem
preparado poucas e boas para nós nos
últimos anos...
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Pontapé Inicial
À véspera do início da Copa do Mundo parece
que ninguém pode falar de futebol. Torcer para o Hexa então virou caso de
polícia, verdadeira traição nacional. Acho que antes de o Brasil sediar a Copa,
há inúmeras outras prioridades que poderiam ter sido contempladas. Há estádios,
erguidos sob o alicerce do investimento público, que ficarão totalmente subutilizados
pós-Copa. Sei que a chance de aproveitar a Copa com uma função social e até de
melhorar a estrutura do país não foi aproveitada. Sei que o fato de o Mundo
estar olhando para nós neste mês seria uma super chance de realizar grandes
manifestações pacíficas, de plantar sementes de mudança, mas que, infelizmente,
nada será feito – tudo que tiver de protesto terá um viés político por trás. Não sou ingênuo de acreditar que o esporte nunca
foi utilizado politicamente. Foi, é e continuará sendo. Mas eu não faço uso
dessa distorção e não caio na lábia dos que tentam fazer. Para mim, Copa do
Mundo continua sendo dentro de campo, jogo de estratégias, festa de integração,
momento de torcer. Quer torcer contra a seleção brasileira, torça à vontade.
Escolha uma seleção, faça suas apostas. O importante é acompanhar a disputa
sadia que só o esporte proporciona. É impulsionado por essa emoção esportiva que
dou o pontapé inicial na cobertura do blog para a Copa. A partir de agora todos
os próximos textos vão abordar somente o que acontece dentro das quatro
linhas, pois foi exclusivamente para isso que o “Esporte Literário” foi criado.
Em tempo: eu vou continuar torcendo para o Brasil, dentro e fora do campo.
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