Podia ser o tri de Miami, a consagração de
LeBron, mas foi dia do Spurs, do espírito de equipe, da genialidade de
Popovich. Entre os múltiplos sotaques – são cinco estrangeiros no San Antonio –
ressoa o português de Splitter, o primeiro brasileiro a se consagrar campeão da
NBA. Quando eu comecei a acompanhar a NBA, ainda no final dos anos 80, a
competição era realmente norte-americana e ter um brasileiro no topo parecia um
sonho inatingível. Alguns estrangeiros se aventuravam pelas terras do Tio Sam,
mas sempre em papéis secundários. Aos poucos isso foi mudando e hoje a NBA é
realmente um campeonato global. Espanhóis, alemães, argentinos, franceses e
muitos outros já sentiram o gostinho de ser campeão, mas para nós, brasileiros,
o máximo que tínhamos atingido era ter chegado à final, primeiro com Varejão e
no ano passado com o próprio Splitter. Faltava o último degrau, agora não falta
nada: o San Antonio Spurs deu um show de estratégia, conjunto. E nesse espírito
coletivo, Splitter, a cada dia que passa, consegue consolidar a sua importância
na rotação do time. É o reconhecimento do gigante Splitter, brasileiro que saiu
cedo para buscar seu espaço na Europa e, quando já estava consagrado por lá, aceitou
o desafio de recomeçar na NBA. Depois de algumas desconfianças, Splitter
manteve o foco. É admirável a sua persistência, garra e humildade. Ao se tornar
o primeiro brasileiro campeão da NBA, Splitter não realizou apenas o seu sonho,
mas o sonho de toda uma nação. Milhares de “basqueteiros de sofá”, que assim
como eu, puderam sair dessa final com um gosto diferente: a festa continua lá
nos EUA, mas tem um pouco de nós. Que esse seja o primeiro de muitos anéis de
um brasileiro da NBA. Agora que já temos um campeão, o próximo sonho é ter um
brasileiro liderando uma equipe da NBA. Hoje parece impossível, mas amanhã,
quem sabe...
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