“Errei mais de 9.000 cestas e perdi quase 300 jogos. Em 26 finais diferentes de partidas fui encarregado de jogar a última bola que venceria o jogo... e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida. E é exatamente por isso que sou um sucesso”. A declaração acima explica uma pouco de como Michael Jordan se transformou no maior de todos. A declaração acima explica porque o Brasil não conseguiu vencer ontem a Argentina. A geração dourada da Argentina não tem mais a vivacidade que levou a ganhar dos EUA em Athenas-04, mas tem um trio (Nocioni, Scola e Ginóbili) capaz de fazer a última bola perante qualquer equipe. Essa segurança tira toda a pressão e deixa que os talentos da nova geração surjam naturalmente – Campazzo, de 25 anos, terminou com 33 pontos e talvez foi o jogador mais decisivo ao longo da segunda prorrogação que sacramentou a vitória dos hermanos. O Brasil infelizmente não conseguiu construir essa referência na geração de Huertas, Leandrinho, Varejão e Nenê. O Brasil teve a bola do jogo para virar, mas errou na bandeja de Alex. E realmente o “Brabo”, ao lado de Marquinhos, talvez seja o jogador do Brasil mais acostumado a chamar a responsabilidade para si nos momentos de decisão, mas sempre em clubes, sempre ao nível do NBB. Com a camisa do Brasil na maior competição padrão FIBA, a história é outra. A derrota para a Argentina não foi construída ontem. O fato de o Brasil ter ficado fora de três Olimpíadas eliminou qualquer chance de equiparação com os vizinhos e as outras potências europeias. Assim como o Brasil, a Espanha também estava ontem com a corda no pescoço. A diferença é que Gasol e cia. transformaram a pressão em cestas e construíram uma vitória de 50 pontos contra a Lituânia, até então invicta. Após a derrota do Brasil eu não tinha nenhuma condição racional de escrever qualquer coisa. Nada como uma noite de sono para acalmar os sentimentos. Não é hora de crucificar ninguém. Se o Brasil cometeu algum erro não foi na última bola. O que faltou talvez foi ter perdido para Croácia e ter deixado a Argentina chegar na última bola do jogo com chances de ganhar – a bola “mágica” de três de Nocioni no cantinho da quadra é um pesadelo que não será esquecido. O fato que o Brasil até tentou suprir esse fato de “experiência internacional” trazendo o técnico Magnano, justamente o condutor da Argentina na façanha de Athenas-04. Sou fã do argentino e acho que ele cumpriu bem a sua função, mas tal como numa relação pai e filho, experiência não se passa, se vive. De tudo isso, o que lamento é que a geração de Nenê chegou muito tarde a esse período de aprendizado pela dor e provavelmente não conseguirá fechar o ciclo da volta por cima. Resta torcer para que a transição na seleção brasileira seja muito bem feita. Se tiver continuidade, Raulzinho, Benite, Augusto Lima, Cristiano Felício choraram ontem, mas podem sorrir amanhã não só por eles, mas por toda essa geração de Nenê, Leandrinho e Varejão. Esses caras levaram a nossa bandeira para dentro da NBA e merecem nosso eterno respeito!
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