segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Argolas de Ouro


Desde 2004, o Brasil sonha com a primeira medalha olímpica na ginástica artística. Demorou, mas quando veio já foi logo um ouro, numa indescritível surpresa de Arthur Zanetti. O triunfo de hoje é justa homenagem ao esforço dos irmãos Hypolito, de Daiane dos Santos, de Jade Barbosa e de tantos outros ginastas e treinadores, que fizeram o seu melhor para esse salto de qualidade da ginástica brasileira. Se até então, o Brasil olhava principalmente para a disputa do solo, agora é a vez de olhar um pouco mais para cima até encontrar um par de argolas. É lá que Zanetti vale ouro!.

Argolas suspensas em desafio
Raça, equilíbrio e versatilidade
Técnica apurada e sangue frio
Homens-elásticos em disputa
Um deslize não tem mais volta
Resistência para superar todos

Zanetti não era o favorito olímpico
Azar de quem subestimou Arthur
Nada intimidou o jovem brasileiro
Espetacular apresentação sem erro
Tantos anos de esforço e sacrifício
Tudo compensado em Londres com
Inédito ouro na ginástica do Brasil

domingo, 5 de agosto de 2012

Raio Bolt

Não é a primeira vez que os 100m, a prova mais charmosa do atletismo, tem um bicampeão olímpico – o “filho do vento” Carl Lewis foi o mais veloz em Los Angeles-1984 e Seul-1988. Mesmo sem o ineditismo, o que encanta o mundo é a forma como Usain Bolt chegou a essa façanha. Quando todos os seus adversários estão visivelmente tentando ultrapassar o limite humano, Bolt passeia na pista. Vendo Bolt correr, eu sempre tenho a impressão de que ele nem cansa. O corpo de Bolt parece não ser feito das mesmas fibras e músculos humanos. É verdade que na etapa final de preparação para Londres, Bolt não obteve resultados tão consistentes e, tão rápido como o jamaicano, começaram as especulações: Bolt é isto, Bolt é aquilo. Realmente. Bolt é isto, é aquilo e muito mais. Para definir Bolt é preciso buscar na memória todos os superlativos que você conheça. Mas seja rápido. Pois se você demorar mais que 9s63, Bolt não estará mais por perto para ouvir seu elogio. Que o tempo é relativo todo mundo já sabe, mas para Bolt é tudo muitíssimo mais rápido. Não é à toa que o jamaicano fez do raio o seu símbolo.

Vencedor


Robert Scheidt e Bruno Prada chegaram à regata decisiva com a medalha olímpica garantida, faltando apenas definir a posição do pódio. A conquista do ouro dependia de uma combinação improvável de resultados. Por outro lado, os quatro pontos a frente dos suecos indicavam uma posição confortável na disputa da prata. Scheidt e Prada entraram hoje para velejar com um dilema: administrar a prata ou ir para o tudo ou nada em busca do ouro. Eu não entendo nada de iatismo, mas ficou bem claro que os brasileiros optaram por arriscar. Tentaram caminhos alternativos, apostaram em uma virada inesperada na direção dos ventos. As apostas não deram certo e, por fim, ficamos com o bronze. O ouro não veio e, de certa forma, acabaram deixando escapar a prata, mas Scheidt e Prada estão de parabéns. Tenho ouvido tanto a velha história que os atletas brasileiros “amarelam” no final. E agora, ninguém vai falar do arrojo da nossa dupla? Criticar o Prada já é sacanagem, agora falar alguma coisa do Scheidt é uma heresia. Com o honroso bronze de hoje, Scheidt chegou à quinta medalha olímpica, tornando-se o maior medalhista brasileiro de todos os tempos – o iatista Torben Grael também tem cinco medalhas, mas um prata a menos. E o mais impressionante é que Scheidt continua em plena forma, pronto para novas conquistas. O problema que, justamente no Rio-2016, a Star, atual classe de Scheidt, não está prevista no programa olímpico. Não sei ainda o que vai acontecer, mas tenho certeza de que Scheidt vai dar um jeito de estar presente no Rio. Mas agora não é hora de falar do futuro, voltemos ao presente. Um brasileiro ganhar uma medalha olímpica é um feito. Duas, um espetáculo. Três, memorável. Quatro, inexplicável. Cinco, façanha atingida apenas por dois heróis brasileiros. Cinco, sendo dois ouros, duas pratas e um bronze não tem adjetivos, mas sim um sujeito simples e vencedor: Robert Scheidt.