terça-feira, 16 de agosto de 2016

Chuva de Ouro

Tilintar da chuva no Engenhão, um obstáculo a mais
Heróis da final do salto com vara prontos pra voar
Impecável francês Lavilenie era o mito a ser batido
A preparação de uma vida colocada na ponta do bastão
Girando no ar, Thiago ultrapassou todas as barreiras
O brasileiro já era prata, mas a glória seria maior

Bateu recorde olímpico com 6,03m e desafiou o francês
Resvalada no sarrafo e a torcida vibrou o impossível
A nossa criatividade com o toque de gênio de Petrov
Zebra marcada por juventude, coragem e brasilidade

domingo, 14 de agosto de 2016

Volta por Cima

“Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui. Percorri milhas e milhas antes de dormir...” Realmente é impossível saber tudo o que um atleta brasileiro, sobretudo num esporte individual, percorre até chegar a uma participação olímpica. No caso do Diego Hypolito, o Brasil pode acompanhar uma boa parte da trajetória dramática. Diego viu o seu favoritismo literalmente desabar no chão em Pequim-08 e Londres-12. O sonho olímpico virou pesadelo, mas aí tudo que eu disse no texto do basquete vale para o nosso ginasta, mas de maneira inversa: ele já levou todos os tombos possíveis de amadurecimento e foi justamente em casa que veio a saborosa hora de colher os frutos. Desta vez ele não era o favorito, mas ele foi trilhando o seu caminho com serenidade. Primeiro, garantiu a vaga na equipe brasileira e o direito de participar da festa em casa; depois ajudou o Brasil na competição por equipe e garantiu vaga na final do solo; e aí na sua última apresentação, Diego cicatrizou todas as feridas abertas numa prata redentora. O orgulho nacional transborda não só por Diego, mas também por Arthur Nory, bronze na primeira participação olímpica. Até agora, com certeza a ginástica era a modalidade que vinha mostrando a maior evolução e aproveitando o fator casa, mas ainda faltava a medalha. O fim do tabu veio no plural, inesquecível dobradinha de prata e bronze. Diego homenageia toda a geração precursora da ginástica brasileira e Arthur é a certeza que o sonho continua, mas agora não tem passado nem futuro, ambos são presente vencedor.

Nem sucesso, nem fracasso

“Errei mais de 9.000 cestas e perdi quase 300 jogos. Em 26 finais diferentes de partidas fui encarregado de jogar a última bola que venceria o jogo... e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida. E é exatamente por isso que sou um sucesso”.  A declaração acima explica uma pouco de como Michael Jordan se transformou no maior de todos. A declaração acima explica porque o Brasil não conseguiu vencer ontem a Argentina. A geração dourada da Argentina não tem mais a vivacidade que levou a ganhar dos EUA em Athenas-04, mas tem um trio (Nocioni, Scola e Ginóbili) capaz de fazer a última bola perante qualquer equipe. Essa segurança tira toda a pressão e deixa que os talentos da nova geração surjam naturalmente – Campazzo, de 25 anos, terminou com 33 pontos e talvez foi o jogador mais decisivo ao longo da segunda prorrogação que sacramentou a vitória dos hermanos. O Brasil infelizmente não conseguiu construir essa referência na geração de Huertas, Leandrinho, Varejão e Nenê. O Brasil teve a bola do jogo para virar, mas errou na bandeja de Alex. E realmente o “Brabo”, ao lado de Marquinhos, talvez seja o jogador do Brasil mais acostumado a chamar a responsabilidade para si nos momentos de decisão, mas sempre em clubes, sempre ao nível do NBB. Com a camisa do Brasil na maior competição padrão FIBA, a história é outra. A derrota para a Argentina não foi construída ontem. O fato de o Brasil ter ficado fora de três Olimpíadas eliminou qualquer chance de equiparação com os vizinhos e as outras potências europeias. Assim como o Brasil, a Espanha também estava ontem com a corda no pescoço. A diferença é que Gasol e cia. transformaram a pressão em cestas e construíram uma vitória de 50 pontos contra a Lituânia, até então invicta. Após a derrota do Brasil eu não tinha nenhuma condição racional de escrever qualquer coisa. Nada como uma noite de sono para acalmar os sentimentos. Não é hora de crucificar ninguém. Se o Brasil cometeu algum erro não foi na última bola. O que faltou talvez foi ter perdido para Croácia e ter deixado a Argentina chegar na última bola do jogo com chances de ganhar – a bola “mágica” de três de Nocioni no cantinho da quadra é um pesadelo que não será esquecido. O fato que o Brasil até tentou suprir esse fato de “experiência internacional” trazendo o técnico Magnano, justamente o condutor da Argentina na façanha de Athenas-04. Sou fã do argentino e acho que ele cumpriu bem a sua função, mas tal como numa relação pai e filho, experiência não se passa, se vive.  De tudo isso, o que lamento é que a geração de Nenê chegou muito tarde a esse período de aprendizado pela dor e provavelmente não conseguirá fechar o ciclo da volta por cima. Resta torcer para que a transição na seleção brasileira seja muito bem feita. Se tiver continuidade, Raulzinho, Benite, Augusto Lima, Cristiano Felício choraram ontem, mas podem sorrir amanhã não só por eles, mas por toda essa geração de Nenê, Leandrinho e Varejão. Esses caras levaram a nossa bandeira para dentro da NBA e merecem nosso eterno respeito! 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Sorriso de Criança

O Brasil conquistou hoje mais uma medalha completando um pódio. O bronze que faltava veio da querida Mayra Aguiar, que se tornou a primeira judoca do Brasil a ter duas medalhas olímpicas – vinha de outro bronze em Londres-12.  O que me encanta na Mayra é a alegria de criança que ela comemora a sua medalha de bronze. A maioria dos atletas vai buscar o seu bronze meio desapontados, mas Mayra sobe de cabeça erguida, sabendo exatamente o que significa qualquer medalha olímpica. A alegria de Mayra com seu bronze no peito, remete ao “aviãozinho da felicidade” de Vanderlei Cordeiro, que também não precisou de um ouro para ser um dos nossos maiores heróis olímpicos. A gaúcha tinha chances reais da medalha de ouro, mas nem por isso ela desvaloriza o honradíssimo terceiro lugar.  Assim como Londres, Mayra perdeu na semifinal, mas instantaneamente ela se recompõe mentalmente e vem com tudo para a disputa do bronze. Mayra tem a dimensão exata do que, infelizmente, é ser um atleta olímpico no Brasil: ela podia ser ouro, mas o mais provável é que ela não fosse nada, então um bronze olímpico é muito. Dois bronzes olímpicos, da forma que foram conquistados, é tudo. Suas façanhas me encantam. Com certeza, você me representa Mayra Aguiar! 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Phelps Sem Limites

Pós Londres, Michael Phelps anunciou que iria entrar para história com 22 medalhas olímpicas, sendo 18 ouros. O mito, que quebrou todos os recordes possíveis e impossíveis, foi para a casa, mas não se conformava com a prata nos 200m borboleta, após uma derrota no detalhe para Chad Le Clos. E aí que o filho das águas decide reconquistar o seu ouro.  Desiste da aposentadoria e chega a Rio-16 numa situação diferente: já não tinha o favoritíssimo absoluto e era como se fosse novamente um estreante olímpico, só que dessa vez com 31 anos e agora até pai de família. Nesse recomeço ele voltou a ser exatamente o que sempre foi: único. Phelps se tornou o primeiro nadador olímpico a reconquistar um título na mesma prova: antes da prata nos 200m borboleta em Londres-12, Phelps já havia levado o ouro em Athenas-04 e Pequim-08. Ou seja, ninguém ganhou tantos ouros como Phelps, ninguém ganhou um ouro como Phelps. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Força Divina

Rio não é apenas Copacabana, Cristo, Pão de Açúcar
A vida também pede passagem na Cidade de Deus
Foi lá que Rafaela viu no judô a chance de sonhar
A menina carente foi abraçada pelo Instituto Reação
E lá desabrochou uma mulher corajosa, destemida
Londres-2012 teve punição, polêmica, preconceito
Adversidade que uma legítima Silva sabe enfrentar

Superação que vale a pena ser dela o primeiro ouro
Impressionante como Rafaela representa o Brasil
Lição de não desistir que só o esporte pode trazer
Valentia pro bem como nosso país tanto precisa
A Força Divina do seu olhar é pra não esquecer

domingo, 7 de agosto de 2016

Primeiro Dia, Primeira Medalha

Depois de dormir muito satisfeito com a cerimônia de abertura, hoje foi o primeiro dia oficial de competições da Rio-2016. Simultaneidade de competições, multiplicidade de emoções, difícil é arrumar um tempinho para escrever. O Brasil vai dormir já com a primeira medalha no peito. Simbólico como a medalha inaugural em casa remete a primeira medalha olímpica do Brasil. Quase um século depois da conquista da Antuérpia, veio novamente do tiro o orgulho nacional. Por muito pouco, Felipe Wu não consegue repetir o ouro de Guilherme Paraense. Numa prova de recuperação, nosso representante, que só conseguiu a vaga na final na última rodada, foi certeiro em busca de uma inacreditável prata. Parabéns Felipe Wu por hoje passar de promessa para a realidade. Que o preciso atirador seja apenas o primeiro dos muitos novos heróis olímpicos que vamos conhecer na Rio-2016. Hoje ainda não foi o dia da primeira medalha feminina, mas nossas meninas estão fazendo bonito. O handebol feminino abriu os trabalhos logo pela manhã com uma convincente vitória contra a Noruega, simplesmente as melhores do mundo, e o futebol feminino entregou um delicioso boa noite com uma goleada contra a Suécia. Cautela porque é apenas a primeira fase, mas hoje a festa é verde-amarela. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Viva a Rio-2016 - A Festa é Nossa

Logo mais vem a abertura da Rio-2016 e numa mistura de ansiedade, orgulho, otimismo, mas também de preocupação, gostaria de fazer alguns apontamentos de como o "Esporte Literário" está se preparando:
1) - O Brasil vive uma crise política, econômica, social e, principalmente, de valores e cidadania. A Rio-2016 não é a causa, tampouco a solução!
2) - O COI (Comitê Olímpico Internacional) é sério, profissional e criterioso - ao contrário da FIFA. Se o COI achou que o Rio de Janeiro tem condições de sediar as Olimpíadas é porque tem! Não vamos ser ufanista, mas vamos parar de achar que tudo nosso é ruim e que só lá fora funciona.
3) - Sei que tem muita gente que vai pegar carona na Rio-2016, mas, para mim, esporte e política não se misturam! Vou vibrar com cada gota de suor de um atleta brasileiro (herói simplesmente por ter conseguido chegar nas Olímpiadas), mas sei que nenhuma medalha olímpica vai mudar a crise nacional. 
4) - De tudo, o que realmente me entristece é que o Brasil, ao contrário de outros países, não aproveitou o fato de sediar as Olímpiadas para reinserir o esporte na escola, na infância, como ferramenta fundamental de ética e cidadania. Isso é mais uma oportunidade perdida que dói.
5) Sou um fanático olímpico. Quem me conhece sabe o quanto espero para esse momento chegar. Passei madrugadas no sofá para não perder um momento olímpico. Fico profundamente emocionado de saber que, dessa vez, a festa é nossa. Que o espiríto olímpico nos ajude a ser um pouquinho melhor. Orgulho de ser brasileiro e está aberto oficialmente a cobertura da Rio-2016, que inclusive vai ter participação "in loco". Haja coração!
Obs: O meu pitaco olímpico é que o Brasil chega, pelo menos, a 22 medalhas, sendo 6 de ouro!

domingo, 31 de julho de 2016

Espetacular

Algumas coisas só acontecem
Dentro do universo olímpico
Eu já vi resultados inesperados
Nenhum como este de Londres
Indescritível virada da vida
Zeus tem orgulho das nossas
Inigualáveis guerreiras do vôlei
Apostaram em nunca desistir

De uma 1ª fase irreconhecível
Atropeladas por EUA e Coréia
Não parecia que era possível
Insistir no sonho do bi olímpico

Foi por pouco que não deram
Adeus ainda na etapa inicial
Brasil necessitava de uma
Improvável combinação para
Avançar às quartas-de-final
Num exemplo de esportividade
As americanas não ‘entregaram’

Foi aí que tudo começou a mudar
A conquista contra a Sérvia trouxe
Bravura, alegria e muita energia
Inspiradas, seguiram em frente

Felizes novamente em quadra
Encararam as temidas russas
Rivais entaladas na garganta
Não tem como esquecer Atenas
Ainda mais depois das derrotas
Nas finais dos últimos mundiais
Desta vez tinha que ser diferente
Assim foi o momento do ápice

Ganhando desde o início do jogo
A vitória russa parecia inevitável
Raça verde-amarela para virar
Após defender seis match-points
Yes, o dia de lavar a alma chegou

Japão era o adversário da semi
A disciplina oriental era o desafio
Qualquer deslize poderia ser fatal
Uma apresentação sensacional
E a vaga na final estava garantida
Lá a tarefa era muito mais difícil
Inquestionável favoritismo dos EUA
No primeiro set, um grande susto
Era o fim desta história tão bonita?

Não seria justo com nossas meninas
A caminhada épica da volta por cima
Tinha que ser coroada com o topo
Aos poucos equilibraram a partida
Levantamentos e ataques perfeitos
Implacáveis na defesa e no bloqueio
Até o último ponto da consagração

Parece que essa medalha de ouro
Alcança uma dimensão mágica
Um triunfo que ultrapassa qualquer
Limite do esporte num tom heróico
Ao mesmo tempo tão humano

Show de um grupo que renasceu
Hora de orar para agradecer por tudo
E dá-lhe cambalhotas das campeãs
Inesquecível a felicidade no pódio
Lideradas pela séria capitã Fabiana
Lá estavam as nossas 12 guerreiras
A primeira era Jackie, estrela da final

Thaisa é vibração e garra na rede
A Sheilla contra a Rússia foi demais
Não existe bola perdida para a Fabi
Dani foi a maestra perfeita da equipe
A força de Garay foi fundamental
Ritmo nas mãos de Fernandinha
Adenizia foi raça quando entrou

Tandara era a novata da turma
Homenagens à supermãe Paula
A vaga de Natalia foi na superação
Impossível não se lembrar de Mari
Sassá, Juciely, Camila e Fabíola
A medalha tem um pouco de vocês

Zé Roberto não pode faltar na lista
É ele o pai de três ouros olímpicos

sábado, 30 de julho de 2016

Argolas de Ouro

Argolas suspensas em desafio
Ritmo, equilíbrio e versatilidade
Técnica apurada e sangue frio
Homens-elásticos em disputa
Um deslize não tem mais volta
Resistência para superar todos

Zanetti não era o favorito olímpico
Nada intimidou o jovem do ABC
Espetacular apresentação sem erro
Tantos anos de esforço e sacrifício
Tudo compensado em Londres com
Inédito ouro da ginástica brasileira

domingo, 24 de julho de 2016

Salve Sarah

Saiu do Piauí pra Londres determinada
Acreditava no que parecia impossível
Raça, suor e perseverança no tatame
A Olimpíada era a chance que buscava
Hora de conhecerem a força de Sarah

Mulher sem medo das adversidades
Eliminou uma a uma suas concorrentes
Na final, o desafio contra a então campeã
E daí, a vitória se vestiu de verde e amarelo
Zeus abre a porta do Olimpo para Sarah
Especial inédito ouro do judô feminino
Sonho de uma nação vira doce realidade

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Guerreira

Maurren vai muito além de saltar e pular
A musa de São Carlos dança solta ao vento
Uma mulher que já sentiu as voltas da vida
Risco de parar prematuramente por lesões
Reviravolta num caso de doping inesperado
E o segredo foi ultrapassar cada obstáculo
Na benção de ser mãe de Sofia, o recomeço

Muitos já acreditavam no final de Maurren
A melhor resposta olímpica veio em Pequim
Genial vôo de 7,04 m no Ninho de Pássaro
Garantida a 1ª medalha do atletismo feminino
Impávido ouro da guerreira que não desistiu

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Explosão de Velocidade

Cielo nasceu homem, ascendente em Peixes
Explosão de velocidade na piscina de Pequim
Saiu com ouro nos 50 m e bronze nos 100 m
Após a conquista, nova evolução até se tornar
Recordista mundial nas duas provas do livre

Com a saída dos supermaiôs, uma adaptação
Inocente num caso de doping, ficou a polêmica
Em busca do bi olímpico, chegou Londres-12
Lado a lado com os oito melhores do planeta
O ouro se transformou num honroso bronze

domingo, 10 de julho de 2016

Lugar ao Sol

Caminhada do vôlei feminino foi gradual
A geração de Isabel desbravou os anos 80
Resposta em quadra de meninas corajosas
Olímpiadas de Moscou foi a grande estréia
Longo período de crescente aprendizado

Foi uma época que o Peru era a força local
Ao contrário da geração de prata masculina
Brasil no vôlei feminino era coadjuvante
Indo por experiência em Seul e Barcelona

Foi aí que nossas meninas sacudiram a rede
Ana Moser, Fernanda, Virna, Marcia Fu, Leila
Batiam o bolão da mais fina técnica e garra
Infelizmente esbarraram na fantástica Cuba
A fenomenal Mireya explodiu sonho de ouro
Na semi de Atlanta e novamente em Sidney
A recompensa veio com merecidos bronzes

Faltava às nossas meninas o toque de Midas
Ouro masculino, Zé Roberto veio acrescentar
Fez a transição ideal entre passado e futuro
Athenas foi um dolorido ritual de passagem
O sonho virou pesadelo em poucos minutos

Já parecia garantido a vitória contra a Rússia
Arquibancada delirava com nossas meninas
Quarto set e estávamos 24 a 19 para fechar
Um único ponto separava da final inédita
Então uma superação que só o esporte traz
Lideradas por Gamova, as russas viraram
Impossível acreditar em tudo que acontecia
No tie-break, novo match point para fora
E a Rússia sacramentou o jogo em 16x14

Mari, com alguns ataques errados no fim
Acabou ficando com a marca da derrota
Reerguer a cabeça e sonhar no amanhã
Isso é o que diferencia o grande campeão

Por mérito e justiça, a Mari e o Zé Roberto
Alcançaram em Pequim a segunda chance
Um novo ciclo olímpico, novos horizontes
Líder invicto da 1ª fase sem sets perdidos
A maré seguiu tupiniquim contra o Japão

Semifinal garantida pela 5ª vez consecutiva
Adversária dessa vez era a perigosa China
Simplesmente dona da casa e atual campeã
Sombra do fantasma da semi não foi párea
A Muralha da China não resistiu nossa força

Se a primeira final já foi garantida
Havia ainda um portal para abrir
E os EUA não queriam dar a chave
Impressionante a garra do Brasil
Lindo de ver o eco do último ponto
As nossas meninas enfim douraram

Toda levantadora é uma líder natural
Hélia Souza, a Fofão, supera o padrão
A reserva de Fernanda esperou a vez
Impecável estrela de brilho próprio
Se Pequim imortalizou genial Fofão
A Mari também veio fênix renascer

Valente, Sheila é gigante sem ser a maior
A Paula que de Pequeno não tem nada
Levantou o prêmio de melhor jogadora
E na rede emergem Fabiana e Thaisa
Soberanas no bloqueio e bola de meio
Kennedy se encantaria com nossa Jackie
A beleza única dentro e fora de quadra

We are the champions, my friends...
A Fabi é a versão feminina do Serginho
Líbero é uma coisa que o Brasil fez escola
Equilíbrio quando Carol entrava no rodízio
Walewska, que já era bronze, chegou lá
Sassá e Valeska faziam valer se preciso
Kkkkk, enfim o alívio de ouro para sorrir
As lágrimas sofridas ficaram em outrora

Zé escreveu uma das mais belas páginas
É o único campeão masculino e feminino

domingo, 3 de julho de 2016

Orgulho de Ser Brasileiro

A geração de Negrão, Tande e companhia
Nasceu ouro em Barcelona e logo depois
Delirou a torcida ganhando a Liga Mundial
Em pleno Ibirapuera o título inédito em 93
Respiro de alívio e imortalizado na memória
Surge a encruzilhada de todo grande time
O ouro olímpico é pra poucos, muito difícil
Nova medalha então é quase impossível

Desafio em Atlanta terminou nas quartas
A derrota para a emergente Iugoslávia
Neutralizou o sonho do bicampeonato
Tentativa em Sidney começou otimista
Em cinco jogos, um único set perdido

Heroísmo não se faz na primeira fase
E quando não se podia perder, deslize
Líder invicto contra a frágil Argentina
Lambada que só a rivalidade explica
Espanto, triste despedida da geração
Recomeço e muitas transformações

Grande sacada da CBB foi misturar
Inovação cruzada entre as seleções
Bernardinho após brilhar no feminino
Aceitou a missão de buscar novo rumo

Giovane e Mauricio seguem em quadra
Inspiram novos talentos na transição
O orgulho verde e amarelo recuperado
Vida que segue em sonhos audaciosos
A restruturação que seria a longo prazo
Não demorou para mostrar resultados
Em 2002 já vem inédito título mundial

Galgando muitas vitórias vem Athenas
Um misto de entusiasmo e pé no chão
Sabendo que Olímpiada é outro nível
Todos vêm concentrados na missão
A primeira fase já tem ‘grupo da morte’
Vêm Itália, Rússia, Holanda e  os EUA
O Brasil resiste e passa líder da chave

Mas aí chegam os jogos eliminatórios
As memórias de Sidney atormentam
Um medo exorcizado com show total
Retumbante 3 sets a 0 com a Polônia
Indo para a semifinal é tudo acirrado
Cara a cara contra os Estados Unidos
Inimigo que chegou a vencer o Brasil
O jogo dessa vez tem outro enredo

Na vitória por 3 a 0, mais um passo dado
A tão sonhada vaga para final garantida
Logo essa geração entraria para a história
Bastava saber qual metal o Brasil vestiria
E a final com a Itália ganhou toque épico
Rival que foi maior sensação dos anos 90
Todavia ainda lhe faltava o ouro olímpico

No primeiro set, tudo fácil pro nosso lado
A Itália tratou de reagir e deixar tudo igual
Sem ter como prever quem seria campeão
Cada jogada era como se fosse a última
Italianos usaram todo o seu repertório
Mas nada era suficiente contra o Brasil
Eis que os deuses gregos vêm aplaudir
Nossa mágica em quadra, na arquibancada
Triunfo garantido no terceiro e quarto sets
Orgulho de ser brasileiro, com muito amor

Resultado histórico feito na união
Inspiração que nasce em Ricardinho
Conduz a bola no ar com perfeição
A inversão de lado, pura elasticidade
Rápido em encontrar melhor ataque
De repente, vôo no fundo, Giba neles
Implacável com bigode assustador
Na rede, confiança passa por Gustavo
Heller e Rodrigão não ficam por menos
Os rivais sabem que Brasil tem bloqueio

Reluz nesse time uma jóia de persistência
O sucesso do ataque nasce da sua garra
Defende o impossível, líbero Escadinha
Rompendo barreiras, surge Anderson
Importante canhoto André Nascimento
Gira mundo e volta por cima de Dante
Aquele que ficou marcado em Sidney
Obviamente deu a resposta em quadra

Superação de Nalbert pós grave contusão
E capitão conseguiu se recuperar a tempo
Remanescentes do ouro de Barcelona-92
Giovane e Maurício novamente no topo
Inesquecível peixinho da vitória de todos
Não podia faltar a menção ao Henrique
Homenagem a quem fez parte do ciclo
O reconhecimento do Brasil que dá certo

Bernardinho é capítulo a parte do livro
Estava em 1984 no primeiro florescer
Reserva de Willian na geração de prata
Nas quadras era um ótimo levantador
Ao lado do banco como treinador
Revelou-se ainda melhor, absoluto
Destaque no feminino nos anos 90
Infelizmente havia fenomenal Cuba
No duplo bronze olímpico, o adeus
Hora de vir para o masculino brilhar
Ouro, duas pratas e ainda vem mais

domingo, 26 de junho de 2016

Todos os Santos

Recôncavo baiano de lindas praias e muito axé
Inspirado na ginga, acarajé e todos os Santos
Capaz dos mais grandes feitos, muito esforço
A tal da malemolência não é para vencedor
Ricardo é verdadeira muralha no bloqueio
Disposto a sempre mais, é um incansável
Os adversários sofrem com tanta potência

Sidney foi o berço de prata com Zé Marcos
Acontece que ele sabia que ainda podia mais
Nasce em Emanuel a parceria multicampeã
Talento unido e reconhecido no ouro de 2004
O pódio completo fechou com bronze de 2008
Sua majestade Ricardo agora já pode descansar

sábado, 25 de junho de 2016

Rei da Praia

Engana quem pensa que ele nasceu à beira-mar
Menino de Curitiba começou no vôlei de quadra
Aos poucos descobriu que não seria sua praia
Na mudança para a areia, a virada de campeão
Um jogador de rara habilidade, especial técnica
Em mescla perfeita de serenidade e explosão
Levou o vôlei de praia do Brasil a ser grande

Ricardo foi o grande parceiro do ouro em Athenas
Em Pequim a dupla saiu com a medalha de bronze
Gigante Alison foi o companheiro de prata em 2012
O maior gênio das areias, Emanuel, Rei da Praia

domingo, 19 de junho de 2016

Fiel Escudeiro

Muito se fala das cinco medalhas de Torben
A
verdade é que Grael já tinha prata e bronze
R
estava ainda o tão almejado ouro olímpico
Conquistar a glória maior exigia fiel escudeiro
Eis que surge em Marcelo a força que faltava
Leão rasgando o mar, ampliando o horizonte
O mundo se curvou ao talento dos brasileiros

Flecha dourada na classe Star em Atlanta-96
Em Sidney o sonho do bi naufragou na praia
Ressaca que não foi pior, pois rendeu bronze
Recomeça novo ciclo olímpico e mais velejar
Em Athenas o sabor especial da origem grega
Inspirado pelo brilho das águas mediterrâneas
Ressurgiu a força da dupla Marcelo e Torben
A façanha do bi olímpico de mais um Ferreira

sábado, 11 de junho de 2016

Sem Tormentas

Timoneiro da mais pura técnica
O enigmático mar não o assusta
Respeito às águas e aos ventos
Bendito conhecedor dos atalhos
Em busca de sonhos audaciosos
Navegou por todas as tormentas

Grael é uma família de bem velejar
Resplandeceu Torben e irmão Lars
Ao lado do fiel escudeiro Marcelo
Emplacou duplo ouro olímpico
Levou mais prata e dois bronzes

domingo, 5 de junho de 2016

Ferradura de Ouro

Relâmpago em quatro patas saltando ao vento
O cavaleiro é o maestro que balanceia o verso
Do arroz muito pouco seria se não fosse o feijão
Rodrigo deu ritmo e disciplina a Baloubet du Roet
Imponente de nome e no galope quase que alado
Ganhadores de tudo, chegaram favoritos a Sidney
O destino reservou um refugo inexplicável da vida

Parecia o final, mas amores verdadeiros resistem
E Rodrigo sabia que só fazia sentido com Baloubet
Sonho compartilhado à espera da volta por cima
Salto de redenção em Athenas para lavar a alma
O Pessoa de não desistir e seu cavalo de reluzir
Alcançaram a prata que depois virou justo ouro

domingo, 29 de maio de 2016

Talento a Laser

Risca as águas como quem pincela um quadro
O vento confidencia ao pé do ouvido o caminho
Bússola orientada para o rumo seguro da vitória
Encontro cósmico que vai muito além de velejar
Recordista de medalhas olímpicas para o Brasil
Talento lapidado tanto a Laser quanto na Star

Sucesso já dourado na estréia em Atlanta-96
Com gosto de quase bi veio a prata de Sidney
Hora de voltar ao topo de ouro em Athenas-04
Em busca de grandes desafios, nova categoria
Importante parceria com Prada, mais conquistas
Destino de prata na China e bronze em Londres
Tem volta a Laser na Guanabara e que seja ouro

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Garota de Ipanema 2

Jogadora pra lá de talentosa, criativos levantamentos
Aos 14 anos, a Garota de Ipanema estava na seleção
Chegou a brilhar nos Jogos de Moscou e Los Angeles
Quando o ciclo no vôlei de quadra encaminhava o fim
Uma saída de mestre e o desafio de ir jogar nos EUA
Encontrou no vôlei de praia a chance de seguir estrela
Líder nata, acumulou vitórias com parceiras americanas
Imaginando vida longa na nova carreira, voltou ao Brasil
Na estréia do vôlei de praia nas Olimpíadas de Atlanta
Encontrou em Sandra a parceira para realizar um sonho

Seria justamente em solo americano a sua consagração
Impôs sua valentia para consagrar a mulher brasileira
Longos anos esperando a chance do grito de liberdade
Viva a medalha que Jackie não conseguira em quadra
A areia trouxe à musa o brilho dourado tão merecido

domingo, 22 de maio de 2016

Garota de Ipanema 1

Show verde amarelo eletrizante com toque feminino em Atlanta-96
Após 100 anos, nossas meninas ainda perseguiam o ouro olímpico
Naquele sábado mágico era impossível não acabar com o tal tabu
De um lado da final, Jackie e Sandra, e do outro, Adriana e Mônica
Resposta dupla com o brilho, talento e charme de nossas morenas
A dúvida era saber quem se tornaria rainha, quem ficaria princesa

Prevaleceu na festa brasileira, a sintonia fina entre Jackie e Sandra
Incansáveis na defesa, convictas no saque, sintonizadas no ataque
Rivais em Atlanta, Sandra buscou em Adriana parceira para Sidney
E o ouro e a prata outrora alcançados se fundiram em digno bronze
Supremacia completa de Sandra, melhor jogadora da década de 90