domingo, 10 de julho de 2016

Lugar ao Sol

Caminhada do vôlei feminino foi gradual
A geração de Isabel desbravou os anos 80
Resposta em quadra de meninas corajosas
Olímpiadas de Moscou foi a grande estréia
Longo período de crescente aprendizado

Foi uma época que o Peru era a força local
Ao contrário da geração de prata masculina
Brasil no vôlei feminino era coadjuvante
Indo por experiência em Seul e Barcelona

Foi aí que nossas meninas sacudiram a rede
Ana Moser, Fernanda, Virna, Marcia Fu, Leila
Batiam o bolão da mais fina técnica e garra
Infelizmente esbarraram na fantástica Cuba
A fenomenal Mireya explodiu sonho de ouro
Na semi de Atlanta e novamente em Sidney
A recompensa veio com merecidos bronzes

Faltava às nossas meninas o toque de Midas
Ouro masculino, Zé Roberto veio acrescentar
Fez a transição ideal entre passado e futuro
Athenas foi um dolorido ritual de passagem
O sonho virou pesadelo em poucos minutos

Já parecia garantido a vitória contra a Rússia
Arquibancada delirava com nossas meninas
Quarto set e estávamos 24 a 19 para fechar
Um único ponto separava da final inédita
Então uma superação que só o esporte traz
Lideradas por Gamova, as russas viraram
Impossível acreditar em tudo que acontecia
No tie-break, novo match point para fora
E a Rússia sacramentou o jogo em 16x14

Mari, com alguns ataques errados no fim
Acabou ficando com a marca da derrota
Reerguer a cabeça e sonhar no amanhã
Isso é o que diferencia o grande campeão

Por mérito e justiça, a Mari e o Zé Roberto
Alcançaram em Pequim a segunda chance
Um novo ciclo olímpico, novos horizontes
Líder invicto da 1ª fase sem sets perdidos
A maré seguiu tupiniquim contra o Japão

Semifinal garantida pela 5ª vez consecutiva
Adversária dessa vez era a perigosa China
Simplesmente dona da casa e atual campeã
Sombra do fantasma da semi não foi párea
A Muralha da China não resistiu nossa força

Se a primeira final já foi garantida
Havia ainda um portal para abrir
E os EUA não queriam dar a chave
Impressionante a garra do Brasil
Lindo de ver o eco do último ponto
As nossas meninas enfim douraram

Toda levantadora é uma líder natural
Hélia Souza, a Fofão, supera o padrão
A reserva de Fernanda esperou a vez
Impecável estrela de brilho próprio
Se Pequim imortalizou genial Fofão
A Mari também veio fênix renascer

Valente, Sheila é gigante sem ser a maior
A Paula que de Pequeno não tem nada
Levantou o prêmio de melhor jogadora
E na rede emergem Fabiana e Thaisa
Soberanas no bloqueio e bola de meio
Kennedy se encantaria com nossa Jackie
A beleza única dentro e fora de quadra

We are the champions, my friends...
A Fabi é a versão feminina do Serginho
Líbero é uma coisa que o Brasil fez escola
Equilíbrio quando Carol entrava no rodízio
Walewska, que já era bronze, chegou lá
Sassá e Valeska faziam valer se preciso
Kkkkk, enfim o alívio de ouro para sorrir
As lágrimas sofridas ficaram em outrora

Zé escreveu uma das mais belas páginas
É o único campeão masculino e feminino

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