Rafaela Silva cativa não porque é infalível,
invencível, perfeita. Seu encanto vem da simplicidade, da certeza de que ela é
igual a mim, a você. Rafaela é gente como a gente, mais uma digna representante
da imensa família Silva. Assim como milhões de brasileiros, Rafaela estava em
busca de uma única chance e foi de quimono, faixa e muito suor no tatame que a
sua oportunidade apareceu. Já considerada uma das maiores judocas brasileiras, Rafaela
Silva chegou a Londres-12 com a injusta cobrança de que tinha obrigação de
voltar para casa com medalha. Com apenas 20 anos, Rafaela foi vítima da opinião
pública (e não pública). A partir de um episódio isolado, alguns tentaram
transformar a grande revelação brasileira numa vilã. Não seria este o primeiro
obstáculo de Rafaela, não seria este obstáculo que a derrubaria. Logo nos
primeiros passos do judô, a brasileira de nunca desistir aprendeu importante
lição: o importante não é nunca cair, mas sim sempre levantar. E assim fez
Rafaela. Perseverou na certeza de que a volta por cima não tardaria a chegar.
Um ano depois, com o apoio da torcida, Rafaela se tornou a primeira judoca
brasileira campeã mundial. Poucas vezes me emocionei tanto com uma conquista.
Talvez porque saiba que a vitória de hoje tem um significado além do esporte. É
o reconhecimento, ainda que tardio, da mulher, do negro, enfim de todo o povo brasileiro.
O sucesso de Rafaela mexe comigo de uma maneira ambígua: fico feliz porque
tenho uma guerreira Silva para me orgulhar, mas ao mesmo tempo fico triste
porque sei que para chegarmos a uma Rafaela, ainda desperdiçamos milhões de
Marias, Anas, Joãos e Josés.
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