quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Não é Outro 7 a 1!


A derrota por quase 30 pontos para a Sérvia dói, mas não pode ser analisada isoladamente. É triste saber que uma das gerações mais talentosas do basquete brasileiro perdeu, provavelmente, a última grande oportunidade de conquistar uma medalha em Mundial e/ou Olimpíadas – tenha talvez uma chance derradeira no Rio-2016, mas acredito que esse grupo já vai estar na descendente. E, dessa vez, o sonho de medalha era realmente possível. O pior foi, ao final da partida, ver a relação do resultado de hoje com o vexame da goleada para a Alemanha na semifinal da Copa. A comparação é muito superficial e injusta. São situações completamente distintas. Diferentemente do 7 a 1 do futebol brasileiro, que realmente foi um grito de “pára tudo e vamos recomeçar”, a eliminação por um placar tão elástico do basquete brasileiro não pode ser encarada como se o trabalho não estivesse sido bem feito. Vou dividir a minha análise em dois momentos: o jogo de hoje em si e o basquete brasileiro como um todo. Da derrota para a Sérvia acho que quatro fatores foram responsáveis pelo resultado: 1) A vitória contra a Argentina, ainda mais por uma diferença de 20 pontos, deixou inevitavelmente a equipe “mais relaxada”. 2) Acho terrível enfrentar no mata-mata uma equipe da qual já ganhamos na primeira fase da mesma competição. Pode dar a falsa sensação de que o resultado já está garantido. 3) Por mais que o Brasil terminou a primeira fase com apenas uma derrota e ganhou bem da Argentina, todos sabiam que o terrível “apagão” da nossa seleção continuava por aí e que se ele resolvesse aparecer num jogo eliminatório poderia ser fatal. 4) Verdade seja dita, a Sérvia teve uma jornada impecável. Mesmo antes do nosso “apagão”, eles estavam na frente e dificilmente não sairiam hoje da quadra com a vitória. Em relação ao basquete brasileiro, acredito que seguimos num processo de retomada depois de ter chegado ao fundo do poço. Muito se fala que o Brasil afundou depois de não conseguir a vaga para três Olimpíadas seguidas (Sidney-00, Athenas-04 e Pequim-08). Isso não foi a causa e sim a consequência. Acho que o grande buraco no basquete brasileiro vem dos tempos de Oscar e Marcel, que consolidaram uma cultura individualista no nosso basquete. Paralelo a isso, o contexto geopolítico não ajudou: a separação da União Soviética e da Iugoslávia transformou duas potências da bola laranja em cinco ou seis – ganhar uma medalha hoje é muito mais difícil do que há 30 anos. Conseguir enfrentar todas essas adversidades numa única geração é uma missão quase impossível. Assim, acho que o grande mérito da geração de Huertas, Nenê, Splitter, Varejão, entre outros, é não ter deixado que o basquete brasileiro acabasse e, ao mesmo tempo, foi o grupo que abriu verdadeiramente as portas da NBA e da Europa para nossos talentos. Não estou falando que eles foram sacrificados e não têm culpa de nada. Cometeram seus erros também, mas a verdade é que deram a volta por cima. Acredito que todo esse processo de retomada do basquete brasileiro está chegando ao limite: ou chega os primeiros grandes resultados para sustentar as mudanças que ainda precisam ser feitas ou vamos paralisar neste patamar mediano.  Eu acredito que o basquete brasileiro ainda vai fazer muita gente sorrir, mas algumas coisas precisam ser feitas. A primeira é consolidar o NBB. A competição nacional cresce a cada ano. Conseguimos “repatriar” grandes jogadores como Alex, Marquinhos, Hettsheimeir e bons estrangeiros vêm desembarcando ano, após ano. Resultado disso é que, ao contrário da seleção, equipes brasileiras, como Flamengo, Pinheiros e Brasília, voltaram a ganhar competições internacionais. Juntando tudo isso à Liga de Desenvolvimento, acredito que podemos voltar a ter um consistente processo de formação de atletas – é na quantidade que brilha a qualidade. A segunda, e talvez a mais importante, é fazer uma transição muito bem feita na seleção entre a geração de Huertas, Nenê Splitter e Varejão com a dos promissores Raulzinho, Bruno Caboclo, Lucas Bebê e Augusto Lima. Neste ponto, acredito que o Magnano continua a ser a pessoa mais indicada a liderar esse delicado momento. Ainda faltam alguns degraus (a derrota de hoje vai doer por um bom tempo), mas é visível a mudança de postura do Brasil desde a chegada do argentino campeão olímpico. Enfim, a derrota de hoje é cruel, mas existe um alicerce por baixo que precisa ser mantido. Já no 7 a 1 não sobrou muita coisa em pé....

domingo, 7 de setembro de 2014

Dia da Independência

Eu pressentia que a “freguesia” contra a Argentina terminaria hoje. Só não sabia que o “Grito da Independência” viria tão arrebatador com uma vitória por 20 pontos. Além de anular o “carrasco” Scola, o Brasil teve paciência para saber jogar atrás por todo o primeiro tempo da partida. Uma conquista como essa é coletiva, mas se todo fato histórico tem que ter um protagonista o de hoje atende por Raulzinho, que de “inho” não teve nada - hoje ele calou a todos os críticos, inclusive eu, que acreditavam que ele não deveria estar no Mundial. Sorte que o Magnano foi teimoso. E o mais importante foi a frase do craque ao final do jogo: “Não viemos para o Mundial para ganhar da Argentina”. Ou seja, é sempre muito bom ganhar dos Hermanos, passa a ser um marco para essa geração, mas o real objetivo ainda não foi atingido: a medalha. O próximo passo agora é contra a Sérvia. O fato de ter ganhado na primeira fase não torna a tarefa mais fácil, muito pelo contrário. Pode dar a falsa impressão de que a partida já está garantida. É outra história. Que os nossos guerreiros entrem focados como entraram hoje e aí sim a disputa pela medalha vai ser um sonho real. Depois de tudo que essa geração percorreu acho que estão todos prontos para a “Grande Jornada”, aquela competição que vai marca-los para sempre. Vamos que vamos. Enfim, um 7 de Setembro para realmente comemorar!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

De novo a Argentina

O Brasil fez tudo o que se esperava dele na primeira fase do Mundial de Basquete: saiu apenas com a esperada derrota para a favorita Espanha, garantiu o segundo lugar da chave e a certeza de enfrentar novamente os donos da casa apenas numa eventual semifinal. O roteiro só não foi perfeito porque protagonizamos um dramalhão no primeiro quarto contra a Espanha e verdadeiro filme de terror no terceiro quarto contra a Sérvia. Queimar o filme assim nos jogos eliminatórios pode ser fatal. Apesar de o Brasil ter feito a sua parte, as próximas cenas prometem suspense absoluto. Tudo porque, outra vez, temos a Argentina no nosso caminho. Já perdemos para os hermanos no último Mundial e na última Olimpíada, imagina agora que o Papa é argentino... Chega a dar calafrio! É verdade que dessa vez eles vêm sem Ginóbili, a geração de ouro da Argentina já vem na natural descendente, etc. Mas é fato que o Scola vai estar em quadra e, contra nós, ele normalmente joga por uns três. Até dá para acreditar que dessa vez, depois de muitos anos, temos um pequeno favoritismo contra os nossos vizinhos, mas não dá para bobear nem por um segundo. Pelo sim, pelo não, é melhor começar secar desde já os argentinos. Todos que você conheça, menos o Magnano. Ao nosso técnico toda vibração positiva para que ele esteja num dia inspirado. Que venha logo o domingo e seja o que Deus (afinal ele é brasileiro) quiser...