Muito se falava do medo de um novo
Maracanazo, de perder para a Argentina na final. Esqueceram que ainda faltava
um jogo, esqueceram que o Brasil se arrastou ao longo de toda a competição, esqueceram
tantas coisas. Depois da saída de Neymar, a maior referência do Brasil passou a
ser Felipão. Todas as esperanças do Hexa passavam pelo “Gaúcho de Bigode”.
Afinal, ele sabia o caminho das pedras. Caminho percorrido com glória em 2002, justamente contra a Alemanha. Estava nas mãos dele fazer duas coisas: motivar o
grupo e fazer uma equipe aguerrida, leia-se defensiva. Ninguém entendeu quando
Felipão convocou Henrique, mas era uma aposta surpresa, a possibilidade de
jogar com três zagueiros. Ou então, tinha a opção de três volantes para minar o
ágil e envolvente meio campo alemão. Enfim, Felipão fugiu de suas
características e quis encarar de igual para igual a Alemanha. Vamos combinar
que semifinal de Copa do Mundo não é dia de fazer testes. Criticar pós-goleada
histórica é fácil, mas acho que faltou humildade ao Felipão, que quis inovar na
hora errada. Disse no último texto que acreditava na vitória do Brasil, desde
que reconhecesse o favoritismo alemão e fosse para a superação. Se não tínhamos
a melhor equipe em campo era no psicológico, no apoio da torcida que podíamos
buscar forças, mas os alemães destruíram, em sete atos, qualquer chance de o
Brasil entrar em campo. Perder para a Alemanha numa semifinal não é vergonha
para ninguém, mas levar a maior goleada da competição é um massacre de difícil
cicatrização. Mas a Copa não acabou. O Brasil tem um honroso terceiro lugar
para disputar no sábado e vale lembrar que se a Copa 2014 acabou, a Copa
2018 está só iniciando. É preciso ter muita calma. Afinal, a maioria dos jogadores que tomaram o susto
hoje em campo é o mesmo grupo que vai seguir representando o Brasil e que tem
tudo para dar o troco daqui a quatro anos – vale lembrar que a vitória alemã de
hoje começou há quatro anos, quando os germânicos levaram um grupo promissor e jovem à Copa da
África. E o ruim é que o pesadelo ainda não acabou. Pior que a goleada de hoje
é ver a Argentina de Messi ser campeã no domingo. Por motivos óbvios, vai ser
difícil torcer para Alemanha daqui para frente. Então, vai Holanda!
Para mim ontem aconteceu o mesmo que nos demais jogos do Brasil na Copa, após levar o primeiro gol o time sempre se desorganizava, errava passes, fazia chutes sem precisão, perdia a bola com facilidade, entre outros erros. A diferença é que o adversário teve competência e tranquilidade para aproveitar ao máximo a oportunidade de ampliar o placar. Acredito que o fator psicológico foi determinante para o fracasso tão enfático de ontem, embora nosso futebol não seja dos melhores. Chegar até a semi final foi muito para a seleção que temos, sabemos que bom futebol nem sempre ganha jogo, haja vista a seleção de 1982, mas pelo menos encanta o torcedor que como eu prefere ver um bom futebol a uma vitória no último pênalti. Agora só nos resta pagar a conta da Copa e administrar as consequências dela.
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