terça-feira, 8 de julho de 2014

Falar o quê?

Muito se falava do medo de um novo Maracanazo, de perder para a Argentina na final. Esqueceram que ainda faltava um jogo, esqueceram que o Brasil se arrastou ao longo de toda a competição, esqueceram tantas coisas. Depois da saída de Neymar, a maior referência do Brasil passou a ser Felipão. Todas as esperanças do Hexa passavam pelo “Gaúcho de Bigode”. Afinal, ele sabia o caminho das pedras. Caminho percorrido com glória em 2002, justamente contra a Alemanha. Estava nas mãos dele fazer duas coisas: motivar o grupo e fazer uma equipe aguerrida, leia-se defensiva. Ninguém entendeu quando Felipão convocou Henrique, mas era uma aposta surpresa, a possibilidade de jogar com três zagueiros. Ou então, tinha a opção de três volantes para minar o ágil e envolvente meio campo alemão. Enfim, Felipão fugiu de suas características e quis encarar de igual para igual a Alemanha. Vamos combinar que semifinal de Copa do Mundo não é dia de fazer testes. Criticar pós-goleada histórica é fácil, mas acho que faltou humildade ao Felipão, que quis inovar na hora errada. Disse no último texto que acreditava na vitória do Brasil, desde que reconhecesse o favoritismo alemão e fosse para a superação. Se não tínhamos a melhor equipe em campo era no psicológico, no apoio da torcida que podíamos buscar forças, mas os alemães destruíram, em sete atos, qualquer chance de o Brasil entrar em campo. Perder para a Alemanha numa semifinal não é vergonha para ninguém, mas levar a maior goleada da competição é um massacre de difícil cicatrização. Mas a Copa não acabou. O Brasil tem um honroso terceiro lugar para disputar no sábado e vale lembrar que se a Copa 2014 acabou,  a Copa 2018 está só iniciando. É preciso ter muita calma. Afinal, a maioria dos jogadores que tomaram o susto hoje em campo é o mesmo grupo que vai seguir representando o Brasil e que tem tudo para dar o troco daqui a quatro anos – vale lembrar que a vitória alemã de hoje começou há quatro anos, quando os germânicos levaram um grupo promissor e jovem à Copa da África. E o ruim é que o pesadelo ainda não acabou. Pior que a goleada de hoje é ver a Argentina de Messi ser campeã no domingo. Por motivos óbvios, vai ser difícil torcer para Alemanha daqui para frente. Então, vai Holanda!


Um comentário:

  1. Para mim ontem aconteceu o mesmo que nos demais jogos do Brasil na Copa, após levar o primeiro gol o time sempre se desorganizava, errava passes, fazia chutes sem precisão, perdia a bola com facilidade, entre outros erros. A diferença é que o adversário teve competência e tranquilidade para aproveitar ao máximo a oportunidade de ampliar o placar. Acredito que o fator psicológico foi determinante para o fracasso tão enfático de ontem, embora nosso futebol não seja dos melhores. Chegar até a semi final foi muito para a seleção que temos, sabemos que bom futebol nem sempre ganha jogo, haja vista a seleção de 1982, mas pelo menos encanta o torcedor que como eu prefere ver um bom futebol a uma vitória no último pênalti. Agora só nos resta pagar a conta da Copa e administrar as consequências dela.

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