Não existe um erro ortográfico no título. Que
é fato que faltam escolas no Brasil é inegável, mas não tenho profundidade para
falar do tema educação. O assunto hoje é a improdutiva polêmica que o
ex-jogador Oscar tenta levantar contra os atletas da NBA Nenê e Leandrinho. É
uma polêmica desnecessária e irrelevante. É certo que Nenê não se tornou para o
Brasil a referência que Luis Scola se tornou para os nossos vizinhos. O pivô
argentino parece que se transforma em dois com a camisa da seleção e, infelizmente,
nós já sentimos isto na pele várias vezes. Mas não acredito que Nenê optou em
não ser o nosso Scola. Tem vários fatores que levam a este resultado e, a
maioria deles, não é uma opção de Nenê e simplesmente uma consequência natural.
Nenê tem o estilo mais quieto em quadra e fora dela. No mais, algumas vezes
pode até ter optado em não jogar pelo Brasil, mas na grande parte das vezes que
esteve ausente foi uma decisão involuntária, decorrente de contusões e até de um
câncer (muitas pessoas não sabem ou se esqueceram, mas a carreira do nosso
pivozão poderia ter sido interrompida há anos). De todos os nossos atletas NBA
o que mais tem o perfil para ser o nosso Scola é, do meu ponto de vista, o
Varejão, mas também contusões e intempéries desafiam nosso ídolo. Como eu já disse
no texto anterior (“Fim da Linha”) esta questão das ausências tem que ser
friamente analisadas. Algumas são justificáveis, outras não. Agora se os nossos
NBA não se tornaram um Scola, o Oscar, que agora critica, também não foi. Sempre
jogou na seleção é verdade, mas muitas vezes muito mais por um foco pessoal do
que pensando na equipe ou até no país. Ao falar que Nenê e Leandrinho não
lideram a seleção, talvez ele esqueça que a sua liderança também não foi tão
benéfica assim. Tudo bem, tem o título do Pan de 87, que Oscar não ganhou
sozinho, mas depois foi uma sequência de anos em que o jogo coletivo e de
contra-ataque foi se perdendo. A “cadeira cativa” do Oscar custou uma renovação
na seleção e com certeza isto foi um dos principais fatores que tiraram o
Brasil de três Olímpiadas. Reitero que não é hora de criticar. O passado já se
foi e o presente não se muda do dia para noite. Se quisermos ter um Scola
amanhã, temos que mudar o nosso comportamento hoje. Respeito a todos os atletas
é um ótimo início.
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