quinta-feira, 4 de setembro de 2014

De novo a Argentina

O Brasil fez tudo o que se esperava dele na primeira fase do Mundial de Basquete: saiu apenas com a esperada derrota para a favorita Espanha, garantiu o segundo lugar da chave e a certeza de enfrentar novamente os donos da casa apenas numa eventual semifinal. O roteiro só não foi perfeito porque protagonizamos um dramalhão no primeiro quarto contra a Espanha e verdadeiro filme de terror no terceiro quarto contra a Sérvia. Queimar o filme assim nos jogos eliminatórios pode ser fatal. Apesar de o Brasil ter feito a sua parte, as próximas cenas prometem suspense absoluto. Tudo porque, outra vez, temos a Argentina no nosso caminho. Já perdemos para os hermanos no último Mundial e na última Olimpíada, imagina agora que o Papa é argentino... Chega a dar calafrio! É verdade que dessa vez eles vêm sem Ginóbili, a geração de ouro da Argentina já vem na natural descendente, etc. Mas é fato que o Scola vai estar em quadra e, contra nós, ele normalmente joga por uns três. Até dá para acreditar que dessa vez, depois de muitos anos, temos um pequeno favoritismo contra os nossos vizinhos, mas não dá para bobear nem por um segundo. Pelo sim, pelo não, é melhor começar secar desde já os argentinos. Todos que você conheça, menos o Magnano. Ao nosso técnico toda vibração positiva para que ele esteja num dia inspirado. Que venha logo o domingo e seja o que Deus (afinal ele é brasileiro) quiser...

sábado, 30 de agosto de 2014

Grande Jogada

O Brasil não precisava ter levado o jogo até a última bola. O aproveitamento do lance livre continua sofrível, mas, ufa, ganhou. E venceu justamente a França, atual campeã europeia. É bem verdade que eles não vieram com Parker e Noah, mas ainda sim são os maiores adversários brasileiros na busca da segunda colocação do grupo A – acredito que a Espanha é “all concur” para ser a líder da chave. Agora é fazer o dever de casa contra Irã e Egito, ir com tudo para cima da Sérvia – se deu contra a França, temos condições de ganhar dos sérvios também. É lógico que ainda estamos na primeira rodada da primeira fase e o esporte não é matemática, mas, confirmando as projeções lógicas, o Brasil iria para a próxima fase com apenas a esperada derrota para Espanha. O segundo lugar além de garantir, em teoria, um adversário mais fraco nas oitavas-de-final possibilitaria enfrentar novamente a temida Espanha já na semifinal – ou seja, pelo menos a disputa pela medalha de bronze estava garantida. É lógico que tem muita coisa para acontecer, mas no complexo jogo de xadrez que envolve os chaveamentos do Mundial, o Brasil fez uma excelente jogada. Agora que já levamos alguns peões e até um bispo, já é hora de pensar no próximo movimento. Ainda tem o outro bispo, muitos peões, torres, cavalos, sem falar do Rei e da Rainha, para serem tombados. Continua difícil, mas essa vitória contra a França mostrou que realmente é possível. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sensacionalmente Mayra

Que acompanha um pouco o judô sabe que um dos maiores desafios do atleta é manter a regularidade. Não basta ser bom, não basta treinar forte. Nem sempre a medalha olímpica ou de um mundial vai para o favorito, para o mais preparado. Em uma competição em que tudo é decidido num único dia, basta não ter acordado bem, ter azar no sorteio, sofrer uma interpretação equivocada da arbitragem, sem falar das lesões que ameaçam o tempo e, pronto, adeus à consagração do pódio. Conseguir dominar todos esses fatores para medalhar uma vez já é bom; por duas, ótimo; por três, maravilhoso; por quatro, fantástico; por cinco vezes ininterruptamente, sensacionalmente sem palavras. Quem pensa que precisou anos de dedicação e que tal façanha vem apenas ao final de carreira se engana. Nossa gigante Mayra Aguiar conquistou tudo isso com apenas 23 anos. Desde 2010, a talentosa gaúcha acumulava três medalhas em Mundiais (uma prata e dois bronzes) e o bronze olímpico em Londres-2012. Consistente e regular, Mayra já esteve perto do ouro por diversas vezes, mas sempre um detalhe a impedia de ir ainda mais longe. Muitas vezes esse sonho foi interrompido pela norte-americana Kayla Harrisson, atual campeã olímpica. Dessa vez, o confronto entre as duas foi reservado novamente para uma semifinal. Mayra entrou no tatame com uma força surpreendente. Hoje nada, nem a maior rival, impediria Mayra de conquistar a sua quarta medalha seguida em Mundial, a primeira de ouro. Detalhe que, pós-Olimpíadas, Mayra passou inclusive por cirurgia. Parabéns por chegar ao lugar que busca há anos. Que a regularidade já demonstrada persista por muito tempo. Uma guerreira como você não precisa provar mais nada para ninguém, mas seria muito justo e merecido que o ouro olímpico que não veio em Londres repouse no seu peito nos tatames do Rio de Janeiro. Siga em frente e parabéns a essa gaúcha com força de mulher, mas sorriso de guria.