sábado, 30 de agosto de 2014

Grande Jogada

O Brasil não precisava ter levado o jogo até a última bola. O aproveitamento do lance livre continua sofrível, mas, ufa, ganhou. E venceu justamente a França, atual campeã europeia. É bem verdade que eles não vieram com Parker e Noah, mas ainda sim são os maiores adversários brasileiros na busca da segunda colocação do grupo A – acredito que a Espanha é “all concur” para ser a líder da chave. Agora é fazer o dever de casa contra Irã e Egito, ir com tudo para cima da Sérvia – se deu contra a França, temos condições de ganhar dos sérvios também. É lógico que ainda estamos na primeira rodada da primeira fase e o esporte não é matemática, mas, confirmando as projeções lógicas, o Brasil iria para a próxima fase com apenas a esperada derrota para Espanha. O segundo lugar além de garantir, em teoria, um adversário mais fraco nas oitavas-de-final possibilitaria enfrentar novamente a temida Espanha já na semifinal – ou seja, pelo menos a disputa pela medalha de bronze estava garantida. É lógico que tem muita coisa para acontecer, mas no complexo jogo de xadrez que envolve os chaveamentos do Mundial, o Brasil fez uma excelente jogada. Agora que já levamos alguns peões e até um bispo, já é hora de pensar no próximo movimento. Ainda tem o outro bispo, muitos peões, torres, cavalos, sem falar do Rei e da Rainha, para serem tombados. Continua difícil, mas essa vitória contra a França mostrou que realmente é possível. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sensacionalmente Mayra

Que acompanha um pouco o judô sabe que um dos maiores desafios do atleta é manter a regularidade. Não basta ser bom, não basta treinar forte. Nem sempre a medalha olímpica ou de um mundial vai para o favorito, para o mais preparado. Em uma competição em que tudo é decidido num único dia, basta não ter acordado bem, ter azar no sorteio, sofrer uma interpretação equivocada da arbitragem, sem falar das lesões que ameaçam o tempo e, pronto, adeus à consagração do pódio. Conseguir dominar todos esses fatores para medalhar uma vez já é bom; por duas, ótimo; por três, maravilhoso; por quatro, fantástico; por cinco vezes ininterruptamente, sensacionalmente sem palavras. Quem pensa que precisou anos de dedicação e que tal façanha vem apenas ao final de carreira se engana. Nossa gigante Mayra Aguiar conquistou tudo isso com apenas 23 anos. Desde 2010, a talentosa gaúcha acumulava três medalhas em Mundiais (uma prata e dois bronzes) e o bronze olímpico em Londres-2012. Consistente e regular, Mayra já esteve perto do ouro por diversas vezes, mas sempre um detalhe a impedia de ir ainda mais longe. Muitas vezes esse sonho foi interrompido pela norte-americana Kayla Harrisson, atual campeã olímpica. Dessa vez, o confronto entre as duas foi reservado novamente para uma semifinal. Mayra entrou no tatame com uma força surpreendente. Hoje nada, nem a maior rival, impediria Mayra de conquistar a sua quarta medalha seguida em Mundial, a primeira de ouro. Detalhe que, pós-Olimpíadas, Mayra passou inclusive por cirurgia. Parabéns por chegar ao lugar que busca há anos. Que a regularidade já demonstrada persista por muito tempo. Uma guerreira como você não precisa provar mais nada para ninguém, mas seria muito justo e merecido que o ouro olímpico que não veio em Londres repouse no seu peito nos tatames do Rio de Janeiro. Siga em frente e parabéns a essa gaúcha com força de mulher, mas sorriso de guria.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Retrocesso

Quando os alemães calaram o país após a estrondosa (para não dizer desastrosa) goleada de 7 a 1, todos acreditavam que o fundo do poço havia chegado, que não era possível afundar mais. A dor era tremenda, mas ficava a esperança de que o vexame em casa seria um marco zero. Todas as lições seriam duramente aprendidas e o futebol brasileiro renasceria para voltar a ser o melhor do mundo. O caminho mais óbvio era aliar o talento e a criatividade do nosso futebol moleque à modernidade e um olhar diferente de um técnico estrangeiro. Eu iria de Diego Simeone sem pensar. Mas a CBF não aprendeu nada com o duro golpe levado há 15 dias. Em vez de levantar, cicatrizar as feridas e olhar para a frente, os retrógrados dirigentes resolveram deram um passo para trás e foram buscar em Dunga a perpetuação do caos. Sou sempre otimista e acho que todo projeto novo merece um voto de confiança, mas desta vez não dá para ser favorável. Não consigo entender o inexplicável. Não existe renovação alicerçada num passado que já se mostrou errado. Gostaria que o futuro demonstrasse que o meu pessimismo foi exagerado. Voltaria ao blog para pedir desculpas a Dunga e Cia. Mas de imediato fica o profundo inconformismo. Só não estou mais desesperado porque acho que Dunga não chega à Copa de 2018. Resta saber se quando a nova mudança for feita já não vai ser tarde demais!