O Flamengo sagrou-se campeão da Liga das
Américas de Basquete, diga-se de passagem, numa final contra o Pinheiros, que
era o atual campeão. A conquista rubro-negra é o segundo título continental
brasileiro nesta temporada, já que o Brasília é o atual campeão sulamericano.
Essa sequência de títulos das equipes brasileiras leva uma reflexão: o Brasil
(deixando sempre os EUA como um universo basquetebolístico a parte) voltou a
ser o melhor da América? Esses títulos poderiam dizer que sim, mas a realidade
da seleção brasileira, que só entrou no Mundial por um convite da Fiba,
demonstra que não. Acho que estes resultados dos clubes brasileiros não revelam uma melhora do basquete nacional, mas sim um pequeno avanço na economia
verde-amarela. Com uma economia um pouco mais estável do que as dos países
vizinhos, conseguimos manter talentos locais como Alex e Giovannoni, no Brasília,
Marquinhos, no Flamengo, e atrair estrangeiros de melhor qualidade – inclusive representantes
sulamericanos como o uruguaio Osimani, do Brasília, e o argentino Laprovittola,
do Flamengo. Já os vizinhos, sobretudo os argentinos, não mantiveram suas principais referências no campeonato interno. Mas, quando o assunto é
seleção, todos voltam, inclusive os da NBA e aí o Tango continua soberano.
Apesar da hegemonia brasileira ser superficial, ainda sim há motivos para
comemorar. O nível técnico do NBB melhorando, inclusive a partir de boas
referências estrangeiras, pode gradativamente reacender o potencial dos
brasileiros. Mantendo esse padrão por alguns anos, aí sim podemos ter um efeito
benéfico para a seleção. Sigo na torcida que o basquete do Brasil volte a ser,
no mínimo, o melhor das Américas. Por ora, deixa os cariocas comemorarem...
domingo, 23 de março de 2014
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Porta Dos Fundos
O Brasil, via convite Fiba, está oficialmente
confirmado no Mundial de Basquete Masculino. Não é a forma mais honrosa de
chegar lá, mas, depois do fracasso em quadra na Copa América, era a única
alternativa. E vamos combinar que, se a Finlândia merece o voto de confiança da
Fiba, o Brasil, como bicampeão mundial, merece muito mais – os outros dois
convidados são Grécia e Turquia. Por trás desse convite existe um investimento
pesado, inclusive financeiro, para garantir a participação brasileira. Então,
ir ao Mundial apenas para falar que foi é pouco, muito pouco. Que Magnano possa
contar com a força máxima e que as derrotas de 2013 seja um marco da virada do
nosso basquete. Independentemente do resultado, eu gostaria que o Brasil fosse
a surpresa da competição. Misturasse as estrelas da NBA com as jovens promessas
do NBB. Se as meninas do nosso Handebol, com muito menos fama e apoio,
conseguiram, por que os marmanjos do basquete não podem voltar com uma medalha? Afinal, entrar pelas Portas dos Fundos é até admissível, mas sair pela Porta
dos Fundos aí é outra história, muito mais grave.
domingo, 22 de dezembro de 2013
Melhor Notícia do Ano
Muito provavelmente esse é o último post de 2013, mas não poderia ser melhor: literalmente fechamos o ano com chave de ouro. Vêm das meninas do Handebol a maior conquista brasileira após as Olimpíadas de Londres-2012. Muitos podem achar que a façanha realizada nessa semana foi um acaso, resultado imediato de uma equipe talentosa. Mas não, esse é um trabalho de mais de uma década. Em 1999, Handebol para mim era apenas uma vaga lembrança das aulas de Educação Física na infância, mas lembro que torci e muito para as nossas meninas na final do Panamericano contra as canadenses. Essa conquista da América foi um marco. A semente de um projeto sólido e vitorioso havia sido germinado, mas havia um longo caminho para percorrer. Numa modalidade genuinamente amadora, nossas meninas foram aproveitando toda oportunidade. Depois de 1999, foram mais três ouros pan-americanos. A América passou a ficar pequena para o sonho das nossas meninas. O talento das brasileiras, aliados a ginga e criatividade, já havia se mostrado vencedor, mas ainda faltava técnica e frieza para enfrentar as européias de igual para igual. Foi aí que essa orquestra vencedora recebeu um maestro à altura: o técnico dinamarquês Morten Soubak. No último Mundial e na última Olimpíadas a medalha passou a ser uma chance real, duramente interrompida nas quartas-de-final. O algo a mais que faltou nessas duas competições chegou em 2013. Nossas meninas em vez de desanimar continuaram se esforçando, a maioria adquirindo experiência em equipes na Europa. De todas, quem mais se desenvolveu foi a ponta Alexandra, eleita a melhor do mundo. Era a cereja do bolo que faltava. Da goleira a última reserva todas empenhadas em dar o último passo e ele veio de forma espetacular: invicta e ganhando na final da Sérvia, que contava com todo o apoio da torcida. Não consegui sentir essa emoção pela TV, mas, sem dúvida, é um dos momentos mais importantes que presenciei. Tomara que o passo dado agora seja só o primeiro de muitos. Que assim como o vôlei, nossas meninas do Handebol tenham vida longa no topo mundial. Mas o momento não é de pressão. É de parabéns e muito orgulho por transformar uma "brincadeira de escola" (é isso que significava o Handebol para a maioria da população) numa medalha de ouro mundial. Que Fim de Ano heim! Boas Festas a todos e que nossas meninas do Handebol inspirem cada um a fazer de cada dia de 2014 um exercício de superação.
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