sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pan, Pan, Pan

A primeira semana de competição do Pan termina de maneira muito positiva para o Brasil. Com 17 medalhas de ouro e 49 no geral, arrisco a dizer que se nossos atletas mantiverem o ritmo, poderemos chegar bem perto ou até ultrapassar o recorde das 54 medalhas de ouro conquistadas no Rio há 4 anos. A projeção que faço para atingir esta meta é a seguinte: 10 ouros na natação, 10 nas lutas (judô, boxe, caratê e taekwondo), 10 no atletismo, 10 nos esportes coletivos (incluindo o vôlei de praia) e 15 nas demais modalidades. A natação encerrou nesta sexta-feira arrebatando exatamente 10 ouros. As outras douradas vieram no vôlei feminino, vôlei de praia feminino, ginástica rítmica (três por equipe), tênis de mesa e tiro esportivo. Todas estas medalhas precisam ser muito comemoradas, mas é preciso fazer uma ressalva que, em muitas modalidades, o nível técnico do Pan é abaixo ao das Olimpíadas. É o que acontece, por exemplo, com Thiago Pereira, detentor de 12 medalhas de ouro na competição continental (seis no Rio e mais seis agora em Guadalajara), mas que, tenho certeza, trocaria todas por uma medalha olímpica ou mundial. De qualquer forma, a experiência no Pan é muito válida para aparar algumas arestas e chegar com tudo em Londres-2012. É o caso do vôlei feminino, que volta a ganhar um ouro depois de perder a final do Mundial e do Grand Prix, e do Cesar Cielo, que tirou a “inhaca” dos 100m livre ao fazer o seu melhor tempo no ano. Outro destaque é o inédito ouro de uma brasileira no tiro. De quebra, o triunfo de Ana Luiza Ferrão garantiu a vaga olímpica. Que venha a segunda semana do Pan com muito mais.

domingo, 9 de outubro de 2011

Alegre Nostalgia

O jogo já não tem mais a adrenalina de um campeonato. O ritmo da partida é bem diferente das eletrizantes batalhas que Moya e Guga protagonizaram – e imortalizaram – na década de 90. O que não mudou é a energia positiva que Guga transmite quando está em quadra. Na sua terra natal, o “Manezinho da Ilha” esteve mais solto do que nunca com direito a, no meio do jogo, dar uma volta na torcida e “roubar” uma banana de uma dupla de garotos – simpatia, carisma, respeito e humildade num único ato! Se a despedida oficial foi em 2008, Guga mostra que não está disposto a abandonar o tênis – que bom! Pelo terceiro ano seguido, ele realiza a Semana Kuerten, oportunidade para a nova geração estar mais perto do ídolo. O destaque da edição deste ano foi a inclusão do torneio para cadeirantes. Assim como nas anteriores, a jornada 2011 termina com a exibição de Guga. Depois de Bruguera, Kafelnikov, ontem foi Moya o adversário (na verdade um grande parceiro) e o ano que vem, quem sabe, o Federer. Independentemente do adversário e do resultado, o que importa é que, felizmente, é um evento que parece que veio para ficar. Ótimo para Guga que continua ajudando o esporte nacional. Excelente para a torcida que consegue amenizar o adeus precoce do ídolo que foi muito longe, mas se não fosse a inesperada contusão, poderia ter avançado ainda mais. Com esse tom de alegre nostalgia (sim, saudade pode ser boa), transcrevo abaixo o texto que escrevi, em 2008, quando Guga anunciou a sua despedida.

As mãos que agora aplaudem o adeus de Guga
São as mesmas que suaram frio em tantas finais
Quantas vezes o coração bateu apertado
Achando que a derrota era inevitável
Mas na esquerda inigualável de Guga
Vinha a lição de não desistir
Dessa determinação contagiante
Muitas vitórias impossíveis brotaram
Trazendo orgulho a esse país tão carente
Pela sua raquete sempre humilde
Uma nação aprendeu muitos valores
Se hoje o corpo já não acompanha
A genialidade de Guga, isso pouco importa
Lampejos de sua habilidade já são suficientes
Para lembrar o quanto ele é especial
A garra em correr na quadra até o fim
Não traz a vitória, mas emana nobre lição
Que todas as crianças aprendem no início do esporte
Mas que pouquíssimas levam para a vida adulta
O importante é competir dando o melhor de si
Por essa conduta e tantas outras
É que Guga se despede, mas não vai
Fica o irreverente garoto cabeludo
Desengonçado com roupas coloridas
Surfando na arena de Roland Garros
Para transformar o conservador planeta do tênis
Guga nos ensinou que não precisa ser agressivo
Não é pegando em armas que se muda o mundo
Basta pequenos nobres gestos
Como quando ele apontava o erro do juiz
Mesmo que isso pudesse lhe significar a derrota
Descanse na certeza de ser eterno campeão

domingo, 2 de outubro de 2011

Agora São Elas

Primeiro foram os homens e agora são as mulheres do basquete que garantiram o Brasil nas Olimpíadas de 2012. Favoritas absolutas a conquistarem a vaga das Américas (as norte-americanas já estavam classificadas por serem as atuais campeãs mundiais), nossas meninas fizeram em quadra o que se esperava delas: terminaram o Pré-Olímpico invictas com direito a arrebatadora vitória na final por 74 a 33 contra a Argentina. A armadora Adrianinha e a pivô Érika se mostraram maduras e prontas para serem as referências da equipe – tudo bem que o nível técnico da competição não foi dos mais altos, mas a dupla jogou como há muito tempo não se via na seleção. A participação isolada no Pré-Olímpico não permite fazer nenhuma projeção para Londres. Assim como no masculino, não sei se nossas meninas têm reais chances de estarem no pódio olímpico, mas acredito que estão cada vez mais perto. Se a briga por medalha olímpica no basquete não vai ser nada fácil, o bom é que o Brasil volta a contar com uma dupla chance. Ter de novo o Brasil, tanto no masculino, quanto no feminino, é a prova de que o processo de reformulação do basquete nacional está no caminho certo. Isso por si só é um chuá de três pontos que tem muito a ser comemorado.