Que acompanha um pouco o judô sabe que um dos
maiores desafios do atleta é manter a regularidade. Não basta ser bom, não
basta treinar forte. Nem sempre a medalha olímpica ou de um mundial vai para o
favorito, para o mais preparado. Em uma competição em que tudo é decidido num
único dia, basta não ter acordado bem, ter azar no sorteio, sofrer uma
interpretação equivocada da arbitragem, sem falar das lesões que ameaçam o
tempo e, pronto, adeus à consagração do pódio. Conseguir dominar todos esses
fatores para medalhar uma vez já é bom; por duas, ótimo; por três, maravilhoso; por quatro, fantástico; por cinco vezes ininterruptamente, sensacionalmente sem
palavras. Quem pensa que precisou anos de dedicação e que tal façanha vem
apenas ao final de carreira se engana. Nossa gigante Mayra Aguiar conquistou
tudo isso com apenas 23 anos. Desde 2010, a talentosa gaúcha acumulava três
medalhas em Mundiais (uma prata e dois bronzes) e o bronze olímpico em
Londres-2012. Consistente e regular, Mayra já esteve perto do ouro por
diversas vezes, mas sempre um detalhe a impedia de ir ainda mais longe. Muitas
vezes esse sonho foi interrompido pela norte-americana Kayla Harrisson, atual
campeã olímpica. Dessa vez, o confronto entre as duas foi reservado novamente
para uma semifinal. Mayra entrou no tatame com uma força surpreendente. Hoje
nada, nem a maior rival, impediria Mayra de conquistar a sua quarta medalha
seguida em Mundial, a primeira de ouro. Detalhe que, pós-Olimpíadas, Mayra
passou inclusive por cirurgia. Parabéns por chegar ao lugar que busca há anos.
Que a regularidade já demonstrada persista por muito tempo. Uma guerreira como
você não precisa provar mais nada para ninguém, mas seria muito justo e
merecido que o ouro olímpico que não veio em Londres repouse no seu peito nos
tatames do Rio de Janeiro. Siga em frente e parabéns a essa gaúcha com força de
mulher, mas sorriso de guria.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Retrocesso
Quando os alemães calaram o país após a estrondosa (para não dizer desastrosa) goleada de 7 a 1, todos acreditavam que o fundo do poço havia chegado, que não era possível afundar mais. A dor era tremenda, mas ficava a esperança de que o vexame em casa seria um marco zero. Todas as lições seriam duramente aprendidas e o futebol brasileiro renasceria para voltar a ser o melhor do mundo. O caminho mais óbvio era aliar o talento e a criatividade do nosso futebol moleque à modernidade e um olhar diferente de um técnico estrangeiro. Eu iria de Diego Simeone sem pensar. Mas a CBF não aprendeu nada com o duro golpe levado há 15 dias. Em vez de levantar, cicatrizar as feridas e olhar para a frente, os retrógrados dirigentes resolveram deram um passo para trás e foram buscar em Dunga a perpetuação do caos. Sou sempre otimista e acho que todo projeto novo merece um voto de confiança, mas desta vez não dá para ser favorável. Não consigo entender o inexplicável. Não existe renovação alicerçada num passado que já se mostrou errado. Gostaria que o futuro demonstrasse que o meu pessimismo foi exagerado. Voltaria ao blog para pedir desculpas a Dunga e Cia. Mas de imediato fica o profundo inconformismo. Só não estou mais desesperado porque acho que Dunga não chega à Copa de 2018. Resta saber se quando a nova mudança for feita já não vai ser tarde demais!
terça-feira, 8 de julho de 2014
Falar o quê?
Muito se falava do medo de um novo
Maracanazo, de perder para a Argentina na final. Esqueceram que ainda faltava
um jogo, esqueceram que o Brasil se arrastou ao longo de toda a competição, esqueceram
tantas coisas. Depois da saída de Neymar, a maior referência do Brasil passou a
ser Felipão. Todas as esperanças do Hexa passavam pelo “Gaúcho de Bigode”.
Afinal, ele sabia o caminho das pedras. Caminho percorrido com glória em 2002, justamente contra a Alemanha. Estava nas mãos dele fazer duas coisas: motivar o
grupo e fazer uma equipe aguerrida, leia-se defensiva. Ninguém entendeu quando
Felipão convocou Henrique, mas era uma aposta surpresa, a possibilidade de
jogar com três zagueiros. Ou então, tinha a opção de três volantes para minar o
ágil e envolvente meio campo alemão. Enfim, Felipão fugiu de suas
características e quis encarar de igual para igual a Alemanha. Vamos combinar
que semifinal de Copa do Mundo não é dia de fazer testes. Criticar pós-goleada
histórica é fácil, mas acho que faltou humildade ao Felipão, que quis inovar na
hora errada. Disse no último texto que acreditava na vitória do Brasil, desde
que reconhecesse o favoritismo alemão e fosse para a superação. Se não tínhamos
a melhor equipe em campo era no psicológico, no apoio da torcida que podíamos
buscar forças, mas os alemães destruíram, em sete atos, qualquer chance de o
Brasil entrar em campo. Perder para a Alemanha numa semifinal não é vergonha
para ninguém, mas levar a maior goleada da competição é um massacre de difícil
cicatrização. Mas a Copa não acabou. O Brasil tem um honroso terceiro lugar
para disputar no sábado e vale lembrar que se a Copa 2014 acabou, a Copa
2018 está só iniciando. É preciso ter muita calma. Afinal, a maioria dos jogadores que tomaram o susto
hoje em campo é o mesmo grupo que vai seguir representando o Brasil e que tem
tudo para dar o troco daqui a quatro anos – vale lembrar que a vitória alemã de
hoje começou há quatro anos, quando os germânicos levaram um grupo promissor e jovem à Copa da
África. E o ruim é que o pesadelo ainda não acabou. Pior que a goleada de hoje
é ver a Argentina de Messi ser campeã no domingo. Por motivos óbvios, vai ser
difícil torcer para Alemanha daqui para frente. Então, vai Holanda!
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