Quando o último quarto da partida decisiva entre Uberlândia e Franca
começou, devo confessar que já estava pensando no texto de balanço da temporada
2013/2014 da equipe francana. Sorte que eu não escrevi nenhuma linha, pois teria sido trabalho perdido. Em dez minutos, Lula e seus meninos
protagonizaram aquelas viradas que poucas vezes acontecem, mas que transbordam
a emoção que só uma partida acirrada de basquete pode proporcionar. De repente
não parecia que Uberlândia era o atual vice-campeão do NBB e que era quem
jogava em casa. Não parecia que era do time mineiro os jogadores mais
experientes como Helinho, Valtinho e Robert Day. A cada lance, Franca seguia
sua tentativa de recuperação. Parece que o padrão de jogo que faltou durante
toda a temporada de classificação ficou reservado para esses dez minutos de
partida. A defesa incansável, que foi o grande segredo de Lula e seus meninos
na temporada passada, retornou. No ataque, a consciência de que uma diferença
de dois dígitos leva tempo para ser retirada. Por isso nenhuma bola pode ser
desperdiçada. Franca foi buscar no jogo coletivo a virada. Tanto que essa
vitória não tem um único responsável. O gigante Paulão continuou sendo a
certeza no garrafão, Léo, Jhonatan e Basden fizeram o que se espera de um ala,
Antonio foi a surpresa que veio do banco e foi fundamental para que Uberlândia
não abrisse uma vantagem “irrecuperável”. Sem dúvida uma vitória que enche de
orgulho o torcedor francano, mas o campeonato segue e tudo o que aconteceu hoje
já é passado. O presente se chama Paulistano, que novamente tem a vantagem no
mando de quadra. Por isso é começar guerreiro desde o início e buscar pelo
menos uma vitória nas duas primeiras partidas em São Paulo.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
domingo, 23 de março de 2014
Hegemonia Brasileira?
O Flamengo sagrou-se campeão da Liga das
Américas de Basquete, diga-se de passagem, numa final contra o Pinheiros, que
era o atual campeão. A conquista rubro-negra é o segundo título continental
brasileiro nesta temporada, já que o Brasília é o atual campeão sulamericano.
Essa sequência de títulos das equipes brasileiras leva uma reflexão: o Brasil
(deixando sempre os EUA como um universo basquetebolístico a parte) voltou a
ser o melhor da América? Esses títulos poderiam dizer que sim, mas a realidade
da seleção brasileira, que só entrou no Mundial por um convite da Fiba,
demonstra que não. Acho que estes resultados dos clubes brasileiros não revelam uma melhora do basquete nacional, mas sim um pequeno avanço na economia
verde-amarela. Com uma economia um pouco mais estável do que as dos países
vizinhos, conseguimos manter talentos locais como Alex e Giovannoni, no Brasília,
Marquinhos, no Flamengo, e atrair estrangeiros de melhor qualidade – inclusive representantes
sulamericanos como o uruguaio Osimani, do Brasília, e o argentino Laprovittola,
do Flamengo. Já os vizinhos, sobretudo os argentinos, não mantiveram suas principais referências no campeonato interno. Mas, quando o assunto é
seleção, todos voltam, inclusive os da NBA e aí o Tango continua soberano.
Apesar da hegemonia brasileira ser superficial, ainda sim há motivos para
comemorar. O nível técnico do NBB melhorando, inclusive a partir de boas
referências estrangeiras, pode gradativamente reacender o potencial dos
brasileiros. Mantendo esse padrão por alguns anos, aí sim podemos ter um efeito
benéfico para a seleção. Sigo na torcida que o basquete do Brasil volte a ser,
no mínimo, o melhor das Américas. Por ora, deixa os cariocas comemorarem...
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Porta Dos Fundos
O Brasil, via convite Fiba, está oficialmente
confirmado no Mundial de Basquete Masculino. Não é a forma mais honrosa de
chegar lá, mas, depois do fracasso em quadra na Copa América, era a única
alternativa. E vamos combinar que, se a Finlândia merece o voto de confiança da
Fiba, o Brasil, como bicampeão mundial, merece muito mais – os outros dois
convidados são Grécia e Turquia. Por trás desse convite existe um investimento
pesado, inclusive financeiro, para garantir a participação brasileira. Então,
ir ao Mundial apenas para falar que foi é pouco, muito pouco. Que Magnano possa
contar com a força máxima e que as derrotas de 2013 seja um marco da virada do
nosso basquete. Independentemente do resultado, eu gostaria que o Brasil fosse
a surpresa da competição. Misturasse as estrelas da NBA com as jovens promessas
do NBB. Se as meninas do nosso Handebol, com muito menos fama e apoio,
conseguiram, por que os marmanjos do basquete não podem voltar com uma medalha? Afinal, entrar pelas Portas dos Fundos é até admissível, mas sair pela Porta
dos Fundos aí é outra história, muito mais grave.
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