Muito provavelmente esse é o último post de 2013, mas não poderia ser melhor: literalmente fechamos o ano com chave de ouro. Vêm das meninas do Handebol a maior conquista brasileira após as Olimpíadas de Londres-2012. Muitos podem achar que a façanha realizada nessa semana foi um acaso, resultado imediato de uma equipe talentosa. Mas não, esse é um trabalho de mais de uma década. Em 1999, Handebol para mim era apenas uma vaga lembrança das aulas de Educação Física na infância, mas lembro que torci e muito para as nossas meninas na final do Panamericano contra as canadenses. Essa conquista da América foi um marco. A semente de um projeto sólido e vitorioso havia sido germinado, mas havia um longo caminho para percorrer. Numa modalidade genuinamente amadora, nossas meninas foram aproveitando toda oportunidade. Depois de 1999, foram mais três ouros pan-americanos. A América passou a ficar pequena para o sonho das nossas meninas. O talento das brasileiras, aliados a ginga e criatividade, já havia se mostrado vencedor, mas ainda faltava técnica e frieza para enfrentar as européias de igual para igual. Foi aí que essa orquestra vencedora recebeu um maestro à altura: o técnico dinamarquês Morten Soubak. No último Mundial e na última Olimpíadas a medalha passou a ser uma chance real, duramente interrompida nas quartas-de-final. O algo a mais que faltou nessas duas competições chegou em 2013. Nossas meninas em vez de desanimar continuaram se esforçando, a maioria adquirindo experiência em equipes na Europa. De todas, quem mais se desenvolveu foi a ponta Alexandra, eleita a melhor do mundo. Era a cereja do bolo que faltava. Da goleira a última reserva todas empenhadas em dar o último passo e ele veio de forma espetacular: invicta e ganhando na final da Sérvia, que contava com todo o apoio da torcida. Não consegui sentir essa emoção pela TV, mas, sem dúvida, é um dos momentos mais importantes que presenciei. Tomara que o passo dado agora seja só o primeiro de muitos. Que assim como o vôlei, nossas meninas do Handebol tenham vida longa no topo mundial. Mas o momento não é de pressão. É de parabéns e muito orgulho por transformar uma "brincadeira de escola" (é isso que significava o Handebol para a maioria da população) numa medalha de ouro mundial. Que Fim de Ano heim! Boas Festas a todos e que nossas meninas do Handebol inspirem cada um a fazer de cada dia de 2014 um exercício de superação.
domingo, 22 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Dia Feliz
Hoje é um dia muito especial para a torcida
brasileira. Data histórica em que demos um importante passo em busca de um
título mundial no próximo final de semana. Não, não estou tirando sarro do
Atlético Mineiro. Respeito a dor do Galo, mas o dia realmente é de felicidade,
orgulho nacional. Depois de vir crescendo a cada competição internacional,
nossas meninas no Handebol chegaram a semifinal do Campeonato Mundial. Quase no
anonimato (pelo menos por aqui, já que muitas jogam e são bem respeitadas na
Europa), nossas guerreiras estão fazendo bonito lá na Sérvia e já estão, no
mínimo, na disputa do bronze. Resultado de muita raça, superação, determinação
e todos os adjetivos de eficiência que esse grupo merece. Depois de perder o
segundo tempo inteiro, nossas meninas conseguiram empatar no finalzinho e
precisaram de duas prorrogações para a consagração em cima da Hungria. O
próximo desafio é contra a Dinamarca, nova pedreira, mas elas podem e merecem
subir mais esse degrau. Para elas, só elogios, mas é hora de falar de um
fiasco. Não, não vou falar do Ronaldinho Gaúcho e Cia. Tenho que mostrar minha
indignação com a mídia esportiva. Num país que pretende ser olímpico daqui a
dois anos é vergonhoso a cobertura jornalística da façanha do nosso Handebol
Feminino. Transmissão apenas pelo “Esporte Interativo”. Para achar alguma
reportagem consistente tem que buscar muito na internet. Mas não tem problema.
Mesmo sem reconhecimento, nossas meninas chegaram lá. Que para a semifinal na
próxima sexta–feira seja um pouco mais fácil acompanhar as nossas heroínas.
Independentemente do resultado final, hoje é um dia muito feliz para o esporte
amador do Brasil. Poderia ser também no tão badalado futebol, mas aí é outra
história....
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Cavalo de Tróia
O sorteio da Copa pode dar a impressão que
Deus é realmente brasileiro. Afinal, Croácia, Camarões e México não trazem
grandes sobressaltos. Não dá nem para comparar com o grupo da morte em que os
campeões mundiais Itália, Uruguai e Inglaterra duelarão por duas vagas. Mas as
teorias conspiracionistas que era tudo “carta marcada” para facilitar o caminho
do Brasil até a final no Maracanã morrem logo na primeira fase. A partir das
oitavas o Brasil tem, sem dúvida, a pior projeção possível. Logo no primeiro
jogo mata-mata, Espanha ou Holanda. Passando, o próximo desafio será
provavelmente o segundo do grupo da morte. Correndo tudo bem, a peleia na
semifinal seria contra Alemanha ou França. Para colocar a mão no hexa, o último
adversário sairia entre o primeiro do grupo B (Espanha ou Holanda), a Argentina
ou o campeão do grupo da morte. Ou seja, o Brasil pode enfrentar quatro
campeões mundiais para ser campeão. Agora é hora de recorrer ao velho clichê
esportivo: “time que quer ser campeão não pode escolher adversário”. Não quero
ser pessimista, mas acho que esse sorteio plantou um belo cavalo de Tróia no
projeto Hexa. Não nos iludamos com a primeira fase. Todo cuidado é pouco!
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