domingo, 1 de setembro de 2013

Boa Noite Brasil

Se o dia começou ótimo com as nossas meninas do vôlei dando um show em quadra, o brilho do entardecer veio do tatame. Por muito pouco, mas muito pouco, não encerramos o Mundial do Judô com um ouro da equipe feminina, mas não tem problema - perder para o Japão nas lutas é o mesmo que perder para os EUA no basquete. Ou seja, é uma prata para fechar com chave de ouro a campanha das nossas “poderosas”. Se no masculino tivemos apenas uma medalha de prata (Rafael Silva), no feminino, além da prata de hoje, a lista inclui um ouro (Rafaela Silva), duas pratas (Érika Miranda e Suelen Altheman) e dois bronzes (Sarah Menezes e Mayra Aguiar). Resultado de um projeto sólido e de muita persistência. Sabemos as dificuldades que as mulheres enfrentam em diversas áreas. Então, chegar nesta equipe sólida, que não tem uma protagonista, mas sim um grupo homogêneo de  encher os olhos. Hoje os homens têm que se render ao charme feminino. Acordamos felizes com o vôlei e dormimos extasiados com nossas judocas.

Bom Dia Brasil

A você que está acordando agora, saiba que a expressiva galeria de títulos do nosso vôlei ficou ainda maior nesta madrugada. Na terra do Sol Nascente quem mais brilhou nesta semana foram nossas meninas, que voltam para o Brasil com o nono título do Grand Prix. Se em Londres o bi olímpico chegou, após um início inconstante e uma recuperação inesquecível, a campanha agora foi impecável, convincente. Na fase final, cinco jogos, cinco vitórias, nenhuma partida decidida no quinto set. Reiniciar o ciclo olímpico já com um título não tinha como ser melhor. Mais que o troféu em si, o que empolga e nos enche de orgulho e otimismo é a forma como o Brasil jogou este Grand Prix. Além de manter a base olímpica, Zé Roberto iniciou uma gradual e muito bem feita renovação, já de olho no Rio-16. As gêmeas Monique e Michele tiveram seu espaço, mas a grande protagonista das novas integrantes foi a Gabi. Com “apenas” 1,76m, nossa revelação de 19 anos parece frágil e indefesa em quadra, mas só num primeiro momento. Com a bola nas mãos, Gabi se torna uma gigante, capaz de ultrapassar as bloqueadoras mais altas e as melhores defesas do mundo. Foi bom de mais ver a personalidade da Gabi, na verdade de toda a seleção. Aproveitem o domingo que já começou dourado e ainda tem o último dia do Mundial de Judô.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Orgulho Brasil

Rafaela Silva cativa não porque é infalível, invencível, perfeita. Seu encanto vem da simplicidade, da certeza de que ela é igual a mim, a você. Rafaela é gente como  a gente, mais uma digna representante da imensa família Silva. Assim como milhões de brasileiros, Rafaela estava em busca de uma única chance e foi de quimono, faixa e muito suor no tatame que a sua oportunidade apareceu. Já considerada uma das maiores judocas brasileiras, Rafaela Silva chegou a Londres-12 com a injusta cobrança de que tinha obrigação de voltar para casa com medalha. Com apenas 20 anos, Rafaela foi vítima da opinião pública (e não pública). A partir de um episódio isolado, alguns tentaram transformar a grande revelação brasileira numa vilã. Não seria este o primeiro obstáculo de Rafaela, não seria este obstáculo que a derrubaria. Logo nos primeiros passos do judô, a brasileira de nunca desistir aprendeu importante lição: o importante não é nunca cair, mas sim sempre levantar. E assim fez Rafaela. Perseverou na certeza de que a volta por cima não tardaria a chegar. Um ano depois, com o apoio da torcida, Rafaela se tornou a primeira judoca brasileira campeã mundial. Poucas vezes me emocionei tanto com uma conquista. Talvez porque saiba que a vitória de hoje tem um significado além do esporte. É o reconhecimento, ainda que tardio, da mulher, do negro, enfim de todo o povo brasileiro. O sucesso de Rafaela mexe comigo de uma maneira ambígua: fico feliz porque tenho uma guerreira Silva para me orgulhar, mas ao mesmo tempo fico triste porque sei que para chegarmos a uma Rafaela, ainda desperdiçamos milhões de Marias, Anas, Joãos e Josés.