Michael Phelps tornou-se nesta
semana o maior medalhista das Olimpíadas, incluindo até o período das
competições na Grécia Antiga. Apesar da façanha ter sido conquistada na última
terça-feira, Phelps não se acomodou e continuou perseguindo o seu primeiro ouro
individual em Londres. Agora, não falta nada. Hoje, o norte-americano deu um show nos 200m medley –
o nosso Thiago Pereira cansou no final e não conseguiu repetir o pódio dos 400m
medley –, desbancando o rival Ryan Lochte e voltou ao topo. Chegou ao 16º ouro
olímpico e, de quebra, tornou-se o primeiro tricampeão olímpico em uma prova da
natação. Assim é a vida de Phelps: vitória atrás de vitória, recorde atrás de
recorde, triunfo atrás de triunfo. A verdade é que Phelps chegou aonde nenhum
homem e nenhuma outra mulher chegou e dificilmente alguém voltará a chegar. Por
tudo que ele representa, seria ótimo se ele encarnasse um pouco mais o espírito
olímpico, sendo um pouco mais humilde e simpático. Seja como for, você pode até
não gostar de Michael Phelps, mas é impossível não respeitar Michael Phelps.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Vale Ouro
Quem não acompanha de perto
o judô, talvez não tenha entendido a dimensão que envolve um confronto entre a
nossa Mayra Aguiar e a norte-americana Kayla Harrison. Após dez confrontos
(infelizmente atualizados agora para 6 a 4 a favor de Kayla), as duas criaram
uma rivalidade tipo Brasil x Argentina, Federer x Nadal, Senna e Prost (a F-1
não me parece adequado ao contexto olímpico, mas, modalidade a parte, o exemplo
é bem significativo para mostrar o nível de competição a que se pode chegar).
Enfim, o que eu quero dizer é que o embate entre Mayra e Kayla é disputado num
nível técnico tão alto que pode existir um ganhador, mas não um perdedor. O
confronto entre as duas judocas merecia ter como palco a final olímpica, mas
quis o destino dos cruzamentos que o duelo fosse na semifinal. Mayra perdeu
hoje, assim como já venceu a norte-americana ontem e com certeza voltará a
ganhar amanhã. É lógico que todo atleta quer o ouro e eu não estou querendo
aqui minimizar a façanha de Kayla. Mas, para mim, o que menos importa é a cor
da medalha conquistada por Mayra. A vontade que essa gaúcha demonstrou hoje no
tatame, inclusive superando uma contusão no braço na luta final, vale ouro. E o
bom de tudo isso é que a nossa revelação tem apenas 21 anos, tempo suficiente
para colecionar muitas outras medalhas, incluindo diversas douradas.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Falsa Impressão
Depois da façanha do primeiro dia
com um ouro, uma prata e o bronze, a torcida brasileira ficou com a falsa
impressão de que seria fácil a caminhada do Brasil em Londres. Olimpíadas não
funcionam assim. É muito bom ver nossos atletas com chances reais de medalha em
diversas modalidades, mas continuo repetindo: nenhum brasileiro tem a obrigação
de voltar com uma medalha no peito. Mesmo com todo esse entendimento do cenário
olímpico, em que a regra geral é voltar sem a medalha, é lógico que algumas
derrotas são muito sofridas. O importante é que, passado a dor inicial, o nosso
atleta levante a cabeça e tenha o orgulho de ter feito o melhor. É o caso do
ginasta Diego Hypólito, que na sua segunda e provavelmente última tentativa de
conquistar uma medalha, acabou não alcançando o seu objetivo. Só ele sabe todo
o sacrifício que passou até aqui, mas quando ele estiver com a cabeça mais
fria, espero que ele não volte a classificar a sua experiência olímpica como um
fracasso. Ele realmente não foi bem em Londres e Pequim, mas um campeão mundial jamais será um fracassado. A desclassificação de Rafaela Silva
também machucou. Uma coisa é o atleta cair de pé. A outra é ser eliminada da
competição por uma punição inesperada. Ela vai ficar martelando esse momento
por algum tempo até como forma de aprendizado, mas é bom lembrar que a judoca da Cidade de Deus tem apenas 20
anos e um universo de oportunidades. Talvez a medalha que não chegou agora na
Inglaterra esteja guardada para vir daqui quatro anos com todo o sabor especial
de uma vitória no Rio de Janeiro. Quem também deve estar perguntando o que
faltou é o judoca Leandro Guilheiro, que chegou voando em Londres, como
primeiro do ranking e vindo de conquista de medalha em todas as competições que
participou neste ciclo olímpico. Eu respondo o que faltou: nada. No judô, em
que tudo acontece num dia, um detalhe já é suficiente. O mesmo detalhe que já
lhe rendeu duas medalhas, inclusive quando se recuperava de contusão, desta vez
não vestiu verde-amarelo. Simples assim. O importante é que Leandro continua um
guerreiro. Nesta mesma linha, já fica o recado
para os próximos dias. César Cielo não é favorito a ganhar uma medalha nos 100m
livre. Se chegar no pódio é porque realmente Cesão é um fenômeno das águas.
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